"Entre", espetáculo da Mimulus, volta com mudanças na coreografia

Miguel Anunciação - Do Hoje em Dia
Publicado em 15/02/2013 às 10:18.Atualizado em 21/11/2021 às 01:01.
 (Guto Muniz)
(Guto Muniz)

Em relação à estreia, em 2011, "Entre" retorna mudado para só duas apresentações pela 39ª Campanha de Popularização: sábado (16) e domingo (17), às 21 horas, no Palácio das Artes. E embora haja quem viu o antes e o depois das mudanças e não as tenha notado, o espetáculo sofreu alterações na coreografia, no cenário e na (preciosa) trilha sonora de 17 canções – que inicia em "Solitude", com Duke Ellington, e encerra com Elvis Presley, em "Besame Mucho". Mas permaneceu entre o que há de mais admirável na vasta programação da Campanha. É imperdível.

Sétima grande montagem desde 2000, quando se propôs a ser grande, notável – a despeito da concorrência imposta pelo nível da dança em MG –, a Mimulus alcançou projeção no Brasil e no mundo. Pela qualidade, pelo caprichoso tratamento dos temas que elege. "Entre" frisa a importância das danças a dois na promoção dos encontros e o quanto a sociabilidade encorpa, fortalece e encoraja valores humanos.

Bailarino de renome internacional, coreógrafo que (primeiro?) vislumbrou potência contemporânea nas "danças de salão", Jomar Mesquita dirige o espetáculo. Também articula a coreografia que os bailarinos da Cia. se acostumaram a criar. Paralelamente, ele constrói uma carreira como coreógrafo de outros núcleos de dança, fora da Mimulus.

Primeiro, foi convidado a coreografar "Villa- Lobos: Choros", que comemorava aos 50 anos de morte do autor das Bachianas. Com direção e cenografia de Ione de Medeiros, agregava a Cia de Dança do Palácio das Artes, a Orquestra Sinfônica e o Coral Lírico de Minas Gerais, mas teve vida curta. Quatro sessões em 2009.

Em 2010, a Cia. Jovem da Escola do Teatro Bolshoi no Brasil, de Joinville, o convidou a compor algo contemporâneo, outra linguagem para bailarinos mais devotados ao clássico. Jomar se inspirou num CD de Otto para bolar 25 minutos de cena e o título, "Jurei pro amor um dia te encontrar", de um verso. Teria circulado muito e poderá ser visto ainda este ano em BH.

Em 2011, Jomar coreografou "Tão" para a Cia. Sociedade Masculina, de São Paulo. Para obter "o tom visceral, obsessivo e passional" que desejava, colecionou na trilha sonora sete versões desiguais de "So in Love", o belo clássico de Cole Porter. Coreografou em 2012 "Ou Isso..." para o Balé do Teatro Castro Alves, inspirado na poesia de Manoel de Barros.

Parceiro inestimável para dividir criações

Ligado à Mimulus desde menino, bailarino da Mimulus há muitos anos, Rodrigo de Castro tem funcionado também como assistente de direção e co/coreógrafo dos trabalhos que Jomar abraça fora de casa.

"É um cara inteligente, muito criativo, que pensa bem parecido comigo. Tem sido fundamental dividir estes trabalhos com ele", diz Jomar, que encontrou em Rodrigo um parceiro inestimável. Sobretudo nos trabalhos mais recentes.

Como em "Mamihlapinatapai", da Cia. São Paulo de Dança, que estreou em dezembro. E no próximo, "Permeados", para a Stúdio3, também de São Paulo. Estreia em abril.

A Mimulus é a prioridade dos dois, mas como não produz espetáculo este ano... "Nunca penso duas vezes em aceitar um convite, a não ser quando não tenho como mesmo. Mas sempre bate uma insegurança durante o processo da criação", admite Jomar, que se tornou pai de Nina enquanto trabalhava em Salvador.

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