
Discussões acaloradas marcaram a reunião ocorrida na última quinta-feira (21), na Funarte, entre representantes da Fundação Municipal de Cultura, agentes culturais e público em geral, na tentativa de deliberarem propostas para a implementação do projeto do “Corredor Cultural Praça da Estação”.
O esboço da proposta, sob a tutela da Fundação Municipal de Cultura (FMC), promete mudar o visual e fortalecer a vocação artística da região, que é um verdadeiro caldeirão cultural. O projeto será viabilizado por meio de uma verba de R$ 21,5 milhões do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) das Cidades Históricas e deve ficar pronto para a Copa de 2014.
Inicialmente, o corredor vai abranger desde a avenida dos Andradas, na altura da rua Varginha, no bairro Floresta, até as proximidades do Parque Municipal, além da Rua Sapucaí. A requalificação vai incluir o melhoria dos passeios, iluminação e a sinalização dos prédios e monumentos, além da restauração da antiga hospedaria, da rua Aarão Reis, futura sede da Escola Livre de Artes.
A apresentação por parte da FMC foi um tanto confusa, na opinião de alguns dos presentes. “Mas ao fim serviu para mostrar o tanto que todo o processo de transformações urbanas nesse contexto de copa é obscuro”, avaliou o baterista da banda Pequena Morte, Tamás Bodolay.
Diante deste cenário, os agentes culturais atuantes do entorno da Praça da Estação colocaram diversos questionamentos, como as obras prioritárias e a transparência do processo. “Há um grande temor dessa intervenção ter objetivos higienistas, além disso teme-se que o projeto considere a arte e cultura isoladas do seu contexto, ignorando a diversidade e os conflitos daquela região. A transparência é exigida até pelo temor do que ocorreu no Centro de Referência da Juventude, que já está em obras, e o projeto foi completamente rejeitado em suas consultas públicas e mesmo assim está sendo tocado à revelia do interesse da cidade”, ressaltou o baterista.
O encontro foi improdutivo, de acordo com a assessoria da Fundação, porque as pessoas cobraram coisas que não estão na alçada da instituição e sim das secretarias, como a revitalização do viaduto Santa Tereza, além de não colocarem boas propostas. “A sensação que tivemos foi de uma resistência, parece que eles não querem mudar o local. Não queremos infringir nada, mas que apresentem algo plausível às competências da fundação. Estamos aberto às propostas”.
Houve descompasso entre as partes. “Existem muitas coisas pouco esclarecidas. E consideramos imprescindível saber os detalhes de todo esse projeto, para que o corredor seja pensado globalmente e não setorialmente”, acredita o integrante do grupo Espanca!, Gustavo Borges.
A edificação dos espaços culturais incomoda quem já atua no espaço. “Há uma tendência de pensar esses projetos como prédios. E isso não condiz com a formação de um corredor cultural, que deveria ser a céu aberto”, avalia o integrante da “Família de Rua”, Monge.
Comissão
Mas um ponto positivo, que é consenso entre as partes, foi a criação de uma comissão que irá acompanhar a elaboração do projeto, que tem apenas um mês até sua apresentação ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
“É uma comissão com nove integrantes de diversas frentes”, esclareceu Borges, que complementou: “Nada foi acatada ou e rejeitado. Segundo eles, tudo esta sendo ouvido. Eles não têm outra alternativa. Se essa abertura não se der, esse projeto não vai acontecer. O corredor já existe, só precisa ser potencializado”.