Esteban explora sonoridades da fronteira

Hoje em Dia
Publicado em 28/09/2015 às 09:10.Atualizado em 17/11/2021 às 01:52.

Ao ouvir a música de Esteban (o nome artístico de Rodrigo Tavares), é possível se imaginar em frente ao Guaíba, tomando chimarrão. A origem gaúcha é evidente em todos os detalhes do álbum “Saca La Muerte de Tu Vida”, seja nas letras longas e bem trabalhadas – bendita herança dos Ramil e do rock porto-alegrense – ou na presença marcante do acordeon.

“Tentei muito tempo fazer rock americano, mas vi que o que sei fazer mesmo é pop gaúcho”, conta Esteban, que foi baixista do Fresno e hoje integra a banda de Humberto Gessinger.

O nome em espanhol já mostra que o segundo álbum do artista tem a intenção de trabalhar uma música de fronteira, com influência das sonoridades que vêm da Argentina e do Uruguai. Em “Tango Novo”, por exemplo, ele convida a jovem cantora catarinense Tay Galega para um tango com pegada contemporânea, aproveitando um diálogo com o eletrônico que tem sido bem aproveitado por muitos portenhos.

“A primeira coisa que pensei sobre o disco foi o nome e a intenção inicial era de que tudo girasse em torno dele, mas não consegui. Porém quando coloquei todas as músicas em ordem, percebi que estavam relacionadas à ideia”, diz o artista, que realizou “Saca La Muerte de Tu Vida” com recursos levantados via financiamento coletivo.

Entre muitos

Esteban é mais um exemplo do pop rock consistente que tem sido feito no Rio Grande do Sul nos últimos cinco anos. Quem está atento à produção musical independente da atualidade já deve ter se deparado com os bons discos de Apanhador Só, Ian Ramil, Marcelo Fruet e os Cozinheiros, Felipe Catto e Dingo Bells.

Esteban acredita que a tendência é de o Brasil conhecer cada vez mais essa produção. “O Rio Grande do Sul tinha se fechado um pouco para si mesmo. As bandas têm orgulho de fazer o som da nossa terra, mas precisam sair mais”, diz.
 

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