
Sim. É fundamental que o leitor vá ao Centro de Arte Contemporânea e Fotografia até o dia 6.
A razão é simples, mas não simplória: somente até essa data o espaço abrigará a exposição de um dos fotógrafos mais importantes da cena contemporânea, Robert Polidori, hoje com 61 anos.
Intitulada “Fotografias”, a mostra pertence ao acervo do Instituto Moreira Salles e é um retrospecto dos principais ensaios do artista.Destacam-se um sobre Beirute devastada pela guerra civil que atingiu o Líbano entre os anos de 1975 e 1990; e um outro sobre a deterioração da arquitetura de Havana e das ucranianas Chernobyl e Pripyat – ambas fotografadas quinze anos após o acidente nuclear de 1986.
Outras imagens da exposição são de Nova Orleans (destruída pelo furacão Katrina, em 2005) e uma série sobre as sucessivas restaurações do Palácio de Versalhes – à qual o artista vem se dedicando há mais de vinte anos.
OBRA SINGULAR
Mas o que há no trabalho de Polidori que faz sua obra ser tão singular para uma época e uma legião de fotógrafos e artistas?
“Seu trabalho está entre o documental e a expressão artística”, resume um dos curadores da mostra, Sérgio Burgi.
E nem é necessário observar com grandes minúcias as 43 imagens da mostra para que haja o consenso de como e o quanto nós, seres humanos, somos frágeis.
“As fotos registram transformações radicais em interiores e grandes paisagens mas, independentemente do espaço, elas têm narrativas internas”, destaca Burgi.
Diferentemente do artifício utilizado por muitos, Polidori raramente faz fotografias em preto e branco. Ao contrário: sua assinatura está no colorido.
“A cor, sendo regra para seus trabalhos, traz sofisticação e mostra o quão difícil é retratar a realidade com as cores que nós vemos”, pontua Burgi ressalvando que o artista ainda não criou um registro sobre o Brasil. Mas é só “ainda”: “Ele já está produzindo uma série fotográfica nas favelas pacificadas do Rio”, revela Burgi. Polidori está só no começo desse trabalho, ainda assim há que se esperar, no mínimo, o melhor.
Exposição “Fotografias” de Robert Polidori no Centro de Arte Contemporânea e Fotografia (av. Afonso Pena, 737, Centro). De terça a sábados, das 9h30 às 21h. Domingo, das 16 às 21h. Gratuito. Até 6/1