ARTE URBANA

Exposição leva multiverso dos 'Bolinhos' espalhados por BH para o Palácio das Artes

Mostra é inspirada no personagem que ilustra grafites da capital há 17 anos; visitação fica aberta até 13 de setembro

Gabriela de Castro*
gabriela.castro@hojeemdia.com.br
Publicado em 11/08/2026 às 16:18.Atualizado em 11/08/2026 às 16:39.
Percurso da exposição é composto por cinco salas e traz desde 200 pequenas telas com versões do personagem (como músicos e cozinheiros), parecidos com os graffitis espalhados por BH, até retratos do Bolinho pouco conhecidos pelo público (Raquel Bolinho)
Percurso da exposição é composto por cinco salas e traz desde 200 pequenas telas com versões do personagem (como músicos e cozinheiros), parecidos com os graffitis espalhados por BH, até retratos do Bolinho pouco conhecidos pelo público (Raquel Bolinho)

Personagem que faz parte do cotidiano de quem caminha pelas ruas de Belo Horizonte, o ‘Bolinho’ será o protagonista de uma exposição, no Palácio das Artes, no Centro. A mostra "Habitante - Registros de um Bolinho pela Cidade" vai até 13 de setembro e apresenta diversas obras inspiradas no “multiverso” do cupcake - como telas, esculturas e até experiências interativas. A entrada é gratuita.

A exposição marca os 17 anos do personagem. Segundo Raquel Bolinho, artista plástica por trás dos grafites espalhados pelos muros de BH, a repetição constante do cupcake o tornou um ícone na capital. "A pessoa o vê numa sacola de supermercado, depois encontra outro na rua, mais um em um muro... Essa construção da imagem repetida fez ele se tornar o que é hoje", explica. 

Segundo ela, a imagem do carismático bolinho, a cada hora caracterizado de uma forma diferente, se tornou tão presente no imaginário de quem circula pela cidade que, aos poucos, algumas pessoas já não precisavam ver o personagem inteiro para identificá-lo. "Há muitos anos fiz um Bolinho de costas, aparecia só a bundinha, e todo mundo entendia que era ele. Foi aí que comecei a pensar como a imagem dele ficou forte", observa Raquel.

O aniversário do personagem terá destaque na mostra. Neste sábado (15), das 14h às 18h, os 17 anos do Bolinho serão celebrados com uma programação especial. Haverá visita guiada pela exposição às 15h30, além de espaço para colorir, discotecagem do DJ Raphael Bravin e uma pintura ao vivo realizada por Raquel Bolinho e Kdu dos Anjos. A entrada é gratuita.

Bolinho para todos os gostos

O percurso da exposição é composto por cinco salas e traz desde 200 pequenas telas com versões do personagem (como músicos e cozinheiros), parecidos com os grafites espalhados por BH, até retratos do Bolinho pouco conhecidos pelo público. É o caso das três pinturas que iniciam a mostra. 

"É um Bolinho muito diferente do que eu faço na rua. Ele não tem contorno, tem luz e sombra”, explica Raquel Bolinho sobre as telas. Ao lado das pinturas, três esculturas produzidas pela artista Marlouce Temponi oferecem uma interpretação própria do personagem. “As cerâmicas mostram outra forma de enxergá-lo", conta a artista.

Em uma das salas, o personagem praticamente desaparece. Chapas transparentes de acrílico representam apenas elementos como a cereja, a cobertura e partes do rosto. A iluminação atravessa essas peças e projeta sombras coloridas sobre as paredes, deixando que a memória complete a figura.

O percurso possui também um espaço dedicado à interação. Um dos trabalhos funciona como um falso jogo da memória, com peças que nunca formam pares. Em vez disso, revelam objetos inspirados no universo do personagem. 

Símbolo de BH 

O Bolinho nasceu em 2009, fruto da criatividade de Maria Raquel Bolinho, uma grafiteira itabirana que se encontrou artisticamente logo que se mudou para Belo Horizonte. Inspirada pela paixão por doces e por uma nova descoberta pela arte urbana, a então estudante de Letras na UFMG decidiu criar um personagem que se destacasse no cenário dos grafites da cidade. 

Com um toque de humor e atualidade, o Bolinho rapidamente se tornou uma figura reconhecida, trazendo cores vivas e mensagens bem-humoradas para muros e viadutos de BH.

Desde a criação, o Bolinho se multiplicou por Belo Horizonte e outras cidades do Brasil, como Rio de Janeiro e São Paulo, e pelo mundo, na França, Alemanha, Holanda e outros países.

Serviço
Exposição “Habitante – Registros de um bolinho pela cidade”

12 de agosto a 13 de setembro
Terça-feira a sábado, de 9h30 às 21h; domingo de 17h às 21h
Local: PQNA Galeria Pedro Moraleida – Palácio das Artes 
(Av. Afonso Pena, 1537, Centro – Belo Horizonte)
Classificação indicativa: livre 
Entrada gratuita, sem necessidade de retirada prévia de ingressos.
Mais informações: https://www.instagram.com/querobolinho/

*Estagiária, sob supervisão de Renato Fonseca

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