Exposição mescla coleções das fundações Roberto Marinho e Edson Queiroz

Leida Reis - Enviada Especial
Publicado em 18/07/2014 às 12:06.Atualizado em 18/11/2021 às 03:26.

FORTALEZA - A ideia original era levar a coleção de arte da Fundação Roberto Marinho ao Nordeste, onde ela nunca estivera. Ao receber a incumbência, o curador Lauro Cavalcanti visitou o acervo, também farto, da Fundação Edson Queiroz, na capital do Ceará, e acabou criando uma exposição que mescla recortes dos dois colecionadores. "Abstrações", aberta na noite de quinta-feira no centro cultural da Universidade de Fortaleza (Unifor), é um diálogo entre o informal e o geométrico, como podem ser definidas as coleções, e seguirá, em 2015, para Rio de Janeiro e São Paulo.

A arte contemporânea ali está, com exemplares nascidos das mãos de Antônio Dias, Iberê Camargo, Luiz Hermano, Antônio Bandeira, Manabu Mabe, Beatriz Milhazes, Abraham Palatnik, dentre tantos outros. Nomes de Minas Gerais como Amilcar de Castro com seu "Desenho - Preto X Branco X Vermelho", e Maria Martins, nascida em Campanha, entraram no diálogo criado pelo curador.

"As duas correntes do abstracionismo, informal e geométrico, conversam entre si e temos inclusive uma tela do Luiz Aquila que expõe essa junção. A exposição na Unifor ilustra bem o momento em que a arte saiu do figurativo", diz Lauro Cavalcanti. O intercâmbio gerado a partir da leitura do diretor do Paço Imperial (no Rio) distribui pelas paredes e pisos do centro cultural cearense 107 obras sob a guarda de Airton Queiroz, presidente da fundação criada pelo seu pai, e 62 do colecionador carioca.

Além dos brasileiros de nascimento, há nomes como do argentino Leon Ferrari, que retomou as esculturas de metal na temporada em São Paulo, e outros estrangeiros que, em algum momento produziram aqui suas abstrações. Tomie Ohtake, nascida no Japão e naturalizada brasileira, é outro destaque, com obras que nada pedem ao público, a não ser a simples e agradável apreciação, tom da modernidade e pós-modernidade e veículo para as abstrações que se fazem possível na arte.

José Roberto Marinho, presidente das Organizações Globo, diz ter "adorado" a exposição e se surpreendido com a qualidade da coleção de Edson Queiroz. "Abstrações é uma oportunidade única para os brasileiros apreciarem a arte moderna, principalmente das décadas de 40 a 60". Ele mesmo garante estar sempre emprestando obras de sua coleção particular cujo número, diz, está próximo de 45 exemplares de peças e quadros, por acreditar que a arte não pode ficar escondida.

"Abstrações" está aberta ao público em Fortaleza até dia 11 de janeiro de 2015, e reforça a constatação de que as belas praias não são o único atrativo da capital cearense aos visitantes. O centro cultural da Unifor fica na avenida Washington Soares, 1.321.

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