DE GRAÇA

Exposição na Funarte conta trajetória de Goma, referência na arte urbana brasileira

Até 29 de março, mostra promove encontro entre a história do artista e produção do diretor artístico, pesquisador e fotógrafo Alonso Pafyeze, o Pafy

Gabriela de Castro*
gabriela.castro@hojeemdia.com.br
Publicado em 14/03/2026 às 08:00.Atualizado em 14/03/2026 às 10:23.

Uma exposição que narra a trajetória de João Goma, um dos principais nomes do grafite no Brasil, está em cartaz na Funarte, Centro de Belo Horizonte, até 29 de março. Com entrada gratuita, a mostra “(Re) Conheça” promove um encontro entre a história de Goma - passando pela pichação, pelo grapixo e pelo grafite - e a produção do diretor artístico, pesquisador e fotógrafo Alonso Pafyeze, o Pafy. O evento encerra a programação da 16ª edição do Verão Arte Contemporânea.

Entre as obras presentes na exposição, estão fotografias do cotidiano urbano e intervenções que contam a história de Goma, como uma parede com várias pichações e o material utilizado em cada uma delas. “A montagem mostra tudo o que eu já usei pra pichar na época que eu não tinha condições: carvão, caneta corretiva, canetão, buchinha, embalagem de desodorante…”, conta o artista.

Outros materiais utilizados para a montagem da parede foram uma embalagem de marmita e pasta de dente e ferramentas que Goma utilizou para pichar enquanto estava na cadeia pela primeira vez, em 2010. Ele diz que, na época, foi acusado injustamente.

A exposição traz uma exata reprodução da cela em que o artista ficou preso. Além dessa intervenção, a mostra traz uma mesa com fotos das premiações e o diploma de honra ao mérito que Goma ganhou e registros dos protestos que tiveram na cidade na época da prisão.

Trajetória no picho começou na escola

Uma das obras da exposição mostra um boneco feito de fita adesiva acorrentado a uma cama, simbolizando o momento quando o pai de Goma o prendeu no móvel, ainda na infância, para evitar que ele saísse para pichar. Outra intervenção, no mesmo estilo, insere a estatueta de plástico em uma carteira escolar, com a mesa repleta de assinaturas do artista.

“O meu primeiro contato com a pichação foi dentro da escola”, conta Goma. “A ideia que eu tinha, na época, era que ninguém me conhecia e, se depender das condições financeiras que eu tinha, ninguém nunca ia saber que eu existia. Então, comecei a pichar para mostrar os desafios que eu conseguia fazer para chamar a atenção de alguma forma”.

O artista diz que mais tarde percebeu os riscos que corria na pichação e decidiu explorar outras manifestações da arte urbana. “Passei primeiro para o grapixo (mistura do grafite e do picho), porque eu pensava que, como eu não sabia desenhar, não teria condição de fazer grafite. 

“Depois, fui pegando as técnicas de usar spray, aprendi a fazer o risco bom e passei para o grafite. Aí que fui saber que o grafite tem várias técnicas diferentes, como o estêncil - que utiliza um molde para aplicar uma imagem em uma superfície. Então, tem diversas técnicas que você não precisa ter dom de desenhar”, ressalta Goma.

“A arte mudou minha vida”

Goma afirma que o envolvimento com a arte urbana mudou sua vida e abriu diversas portas, como a possibilidade de trabalhar como arte-educador em projetos e de fundar a própria loja - a Real Grapixo, que vende artigos para grafite e possui marca própria. Na exposição, uma outra obra mostra um pouco a dimensão dessa trajetória: um mapa com todos os lugares que Goma já grafitou, no Brasil e em alguns países da América Latina.

Serviço

Exposição (Re) Conheça: Pafy e Goma
Até 29/03
Funarte MG
Rua Januária, 68 – Centro
Todos os dias (seg. a seg.), das 10h às 21h
Entrada gratuita
Classificação: 18 anos (menores acompanhados)

*Estagiária, sob supervisão de Renato Fonseca

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