Festival FAFAN começa nesta quinta em BH com programação cultural LGBTQIAPN+
Evento gratuito reúne teatro, cinema, música, literatura e oficinas até 15 de março na Funarte MG; ingressos devem ser retirados pelo Sympla

Belo Horizonte abriga, a partir desta quinta-feira (5) e até 15 de março, a segunda edição do FAFAN – Festival de Arte Fancha, evento que reúne espetáculos, shows, mostras audiovisuais, saraus, oficinas e lançamentos literários voltados à valorização de artistas LGBTQIAPN+. A programação ocorre na Funarte MG, no Centro da capital, com entrada gratuita mediante retirada de ingressos pela plataforma Sympla.
Idealizado pela Coletiva Fanchecléticas e pela Associação Artes Sapas, o festival busca ampliar o espaço para expressões artísticas diversas e promover o encontro entre diferentes linguagens culturais, como teatro, cinema, música e literatura. “A maioria das propostas que recebemos são de coletivos. Percebemos após a finalização da curadoria que muitas obras foram feitas por muitas mãos e isso se relaciona com a natureza da nossa associação também", comenta Letícia Bezamat, coordenadora de comunicação do festival e atriz.
Nesta edição, o evento adota o conceito “Colheita”, resultado de um processo de curadoria realizado de dezembro de 2025 a janeiro deste ano. Ao todo, foram recebidas 85 propostas enviadas por pessoas trans e mulheres lésbicas, bissexuais e pansexuais de Belo Horizonte e região metropolitana.
Programação reúne diversas linguagens
Na abertura oficial tem o Sarau Fancheclético, seguido do show “Forró Torto”, que revisita a tradição do forró nordestino a partir de uma formação composta por mulheres cis e pessoas não binárias. A programação musical também inclui o show “YUKÁH”, que celebra sete anos de trajetória da artista experimental do Vale do Jequitinhonha.
Outros destaques são o projeto “Ferinas Sessions”, que reúne artistas negras, periféricas e LGBTQIAPN+ da região metropolitana de Belo Horizonte em apresentações com músicas autorais e a apresentação “Interioranas”, que reúne música e poesia em um encontro entre a cantora Luiza da Iola e a poeta Nívea Sabino.
Espetáculos e cinema
Nas artes cênicas, quatro espetáculos integram a programação do festival. Entre eles, “assuviá pra chamar o vento”, da Breve Cia, e “(En)tupir: Jequitinhonha”, do Grupo NaLama, que aborda memória, ancestralidade e resistência feminina no Vale do Jequitinhonha. Já no audiovisual, o festival exibe oito obras, incluindo o documentário “Marlene Silva Dança o Mundo”, que celebra o legado da bailarina mineira, considerada uma das precursoras da dança afro no Estado.
Também integra a mostra o curta “Fabulosa Nickary Aycker”, que retrata a trajetória de uma mulher travesti preta e periférica que encontrou na arte uma nova oportunidade de vida.
Oficinas e atividades formativas
Além das apresentações artísticas, o FAFAN promove oficinas e atividades formativas. Entre elas a “Oficina de DJs – Do Plantio à Colheita”, voltada para pessoas trans e não binárias, e a oficina “Brincadeiras de Terreiro”, que propõe vivências inspiradas nas tradições afro-mineiras do Congado. Outra atividade é a oficina “Mergulho Drag Cuir”, que convida participantes a explorar diferentes expressões de gênero por meio da maquiagem e da arte drag.
A programação completa do festival pode ser conferida aqui.
Lançamentos literários e saraus
O evento também marca o lançamento da Editora Artes Sapas, com apresentação de obras como “Tia Nina Sapatão”, de Nádia Fonseca, e “O sumiço da cigarra”, de Mari Moreira. Entre os encontros literários, o festival recebe ainda o Sarau Avoa Amor – edição especial: colheitas do afeto, organizado pelo coletivo Avoante, além do Sarau Erótico, promovido pela Transmutar-se Coletiva.
Encerramento
A programação do festival termina dia 15 de março com o espetáculo “Expedição Reversa”, da Coletiva Fanchecléticas, que mistura poesia, humor e crítica social em uma reflexão sobre identidade e memória. O FAFAN é realizado com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte.
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