"Festival Internacional de Acordeon" invade Belo Horizonte

Elemara Duarte - Hoje em Dia
Publicado em 02/05/2013 às 11:52.Atualizado em 21/11/2021 às 03:20.

O "1º Festival Internacional de Acordeon" realizado no Brasil começa na sexta-feira (3) e segue até o domingo (5), em Belo Horizonte, na base do abre e fecha dos foles que marcam o compasso da versatilidade do instrumento que é estrela da festa. O evento será realizado no Grande Teatro do Sesc Palladium e é dedicado ao acordeonista Dominguinhos. Sobem ao palco: Chico Chagas Acordeon Trio (Brasil), Vince Abbracciante Duo (Itália), Toninho Ferragutti & Bebê Kramer (Brasil), Miroslav Lelyukh (Rússia) e Renato Borghetti Duo (Brasil).

Na noite de sábado (4), o Festival homenageia o músico e compositor argentino Astor Piazzolla, com as apresentações de Célio Balona Quinteto (Brasil), LiberTango (Argentina/Brasil) e Free Tango, com o duo Olivier Manoury & Sergio Gruz (França/Argentina).

"É o primeiro festival com nomes internacionais que se realiza no Brasil. Nos espelhamos no festival de Castelfidardo, na Itália", afirma o acordeonista e pianista Célio Balona, um dos idealizadores do evento mineiro.

A cidadela põe moral diante da comunidade musical por fabricar aqueles que são considerados os melhores acordeons do mundo. "São 53 fábricas. Lá, eles são feitos artesanalmente, e podem custar de R$ 5 mil a R$ 30 mil", estima Balona, sobre o preço daquilo que poderia ser considerado o "Stradivarius" dos acordeons. A comparação toma por base os impecáveis violinos do luthier Antonio Stradivari (1644-1737). Hoje, esses instrumentos são disputados entre colecionadores.

Borsini é uma das marcas do reino italiano do acordeom, exemplifica. Segundo Balona, os fabricantes de lá ainda não têm ideia da dimensão do tamanho do mercado brasileiro. "Mandei um e-mail para esta empresa fazendo um pedido de compra e falando que no Brasil, no mínimo, 20 mil pessoas tocavam, conforme soube em uma publicação especializada". Desde então, o artista é um dos representantes da marca no Brasil.

Respeite os 8 baixos

A "Acordeonistas Brasileiros" é uma das comunidades do Facebook que ajudam a fortalecer esta estimativa. O grupo online reúne quase 1.500 admiradores do acordeom. Ele vem seguido de outras dezenas de comunidades com uma média de 600 filiados de norte a sul do Brasil. No nordeste, a tradição do aprendizado é ainda mais difundida. "Lá, o ensino passa de pai para filho. Lembre-se de Januário, pai do músico Luiz Gonzaga. Ele ensinou o filho a tocar", frisa Balona.

Até os anos 1950, o acordeom era um dos instrumentos mais populares do Brasil. "Tocava-se valsas, boleros e tangos. Aqui em BH, havia escolas especializadas". A afinidade, acrescenta o músico, diminuiu com a ascensão da Bossa Nova. "Quem estava aprendendo migrou para o violão".

Balona visualiza que o acordeom voltou a ser admirado e tocado no Brasil com a música instrumental através de Sivuca, Chiquinho do Acordeon, Renato Borghetti e Caçulinha – e também por Dominguinhos, homenageado no Festival.

Em cada país, uma característica; em comum, o dom de encantar

Acordeão ou acordeom? Com "N" ou com "M"? No Brasil, o nome do instrumento é aceito como certo do primeiro jeito para gramáticos e do segundo, para os músicos. Accordéon, conforme manda o francês, pode ser uma das justificativas para o uso do "N" no vocábulo abrasileirado, deduz o músico Célio Balona.

Na Itália se chamaria fisarmônica ou accordion, termo que também é usado nos países de língua inglesa. Em Portugal, é acordeão. Na Alemanha, akkordeon. Na Espanha, termina com um acento agudo: acordeón.

Do sul ao nordeste

No Brasil, além da polêmica do com "N" ou "M", há variações conforme regiões. No Rio Grande do Sul é gaita. No nordeste, sanfona.
"O meu cabelo já começa pratiando/ Mas a sanfona ainda não desafinou/ A minha voz vocês reparem eu cantando/ Que é a mesma voz de quando meu reinado começou", cantava Luiz Gonzaga, em "Hora do Adeus", fazendo sua referência regional ao acordeom.

Outro nome popular no sul brasileiro é o do músico Gaúcho da Fronteira. A referência dele ao acordeom pode ser vista na canção "Guri": "E se não for por escrito eu não me animo a dizer/ Quero gaita de oito baixos pra ver o ronco que sair/ Botas feitio do Alegrete e esporas do Ibirocai".

O músico Dominguinhos, o homenageado do evento, foi internado no último dia 17 de dezembro, após oito paradas cardíacas, e com pneumonia.

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