
O fim do mundo já foi bastante explorado pela ficção científica e pelos filmes de catástrofe. Com uma abordagem mais realista e preocupante, a data de validade da experiência humana vem reforçando também o gênero documental, o que levou os organizadores do Festival do Filme Documentário e Etnográfico de Belo Horizonte (forumdoc.bh), iniciado ontem, a criarem uma mostra dedicada ao tema.
“A ideia é justamente enveredar por essa questão que vem se tornando forte nos últimos anos, presentes nas mais diversas esferas. Usamos o termo antropoceno, que não é consenso, para colocar o tema em debate”, observa a coordenadora Carla Italiano. Antropoceno aponta para um nível de intervenção humana tão intenso que, para alguns defensores, não há mais caminho de volta.
Apesar deste sinal amarelo, a perspectiva deste futuro incerto é tratada de diferentes maneiras nos filmes. Entre os 35 títulos, há produções que registram visões de comunidades que defendem outras formas de compartilhar a existência humana, em especial a indígena, presente em grande número na mostra. “Essas culturas trabalham numa chave de resistência, sendo a própria existência deles uma prova”, registra Carla.
O forumdoc.bh exibirá também duas ficções sobre o tema. Uma delas é “Era uma vez em Brasília”, de Adirley Queiróz, que “fabula uma espécie de futuro distópico e melancólico, que, além de lidar com o fim de um modo de vida, fala do momento político brasileiro atual. Há coisas que não mudarão no futuro, como a exploração e desigualdade social”, analisa a coordenadora.
Em sua 21ª edição, o festival prosseguirá até o dia 3 de dezembro, no Cine Humberto Mauro e no Cine 104, com a exibição de mostras contemporâneas, sessões especiais e seminários. A conferência de encerramento, “Os fins dos mundos”, contará com Deborah Danowski e Eduardo Viveiros de Castro, dois especialistas no assunto, e acontecerá no Parque Municipal.
Programação completa no site forumdoc.org.br