Não é a primeira vez que o diretor Terence Davies realiza um filme de época. Bem como não é a primeira vez que ele tematiza uma sociedade opressora, principalmente em relação ao papel secundário da mulher, vítima de rígidos códigos morais. Foi assim em “Vozes Distantes”, “A Essência da Paixão” e agora em “Além das Palavras”, outra estreia de hoje nos cinemas.
Baseada na autobiografia da poetisa Emily Dickinson, cujo reconhecimento só foi alcançado após sua morte, quando foram encontrados quase dois mil poemas de sua autoria, a história se assemelha em alguns pontos a “Vozes Distantes”, quando o cineasta parte de um ambiente familiar confortável e feliz e que soçobra com o passar dos anos.
Num primeiro instante, Emily parece conformada com o seu destino, alentada por pais e irmãos que sempre veem com reserva e ironia os costumes sociais. Mas à medida que o tempo passa, ela perde a espontaneidade e vive reclusa, sem dar um passo adiante.
Apesar da longa duração, o filme não dá conta desse conflito da personagem, primeiro porque ela se torna uma pessoa aborrecida. Segundo, em razão de um problema comum a vários filmes, que não conseguem oferecer a dimensão exata do talento artístico dos biografados.