SÃO PAULO - As autoridades libaneses proibiram a exibição do filme "L'Attentat" (em português, "o ataque"), porque o diretor, que é libanês, rodou parte do filme em Israel e usou atores israelenses.
A denúncia foi feita pelo próprio cineasta responsável pelo longa, Ziad Doueiri. A trama do filme envolve um cirurgião árabe num hospital de Tel Aviv, que descobre que sua mulher morreu num atentado à bomba suicida.
"Lamento informar que o ministro do Interior do Líbano, ministro [Marwan] Charbel, decidiu nos punir e punir o filme ao proibi-lo", Doueiri escreveu em sua página do Facebook. "A razão para isso é que eu, Ziad Doueiri, filmei em Israel."
"L'Attentat" foi lançado em 2012 e recebeu diversas críticas positivas, levando prêmios no Festival de San Sebastián (Espanha) e no Festival de Marrakech (Marrocos). Mesmo assim, o governo do Líbano não o indicou para disputar uma vaga entre os indicados ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.
Em março, Doueiri disse ao jornal "The Times of Israel" que o filme não foi selecionado pelo Ministério da Cultura do Líbano por não ser "libanês o suficiente". "Eles também disseram que não poderiam mandar um filme com atores israelenses para representar o Líbano no Oscar."
Inicialmente, a censura libanesa permitiu que "L'Attentat" fosse passado no país, desde que nada que fizesse referência a Israel aparecesse nos créditos. Seria o primeiro filme a ser exibido no Líbano com um elenco de maioria majoritariamente israelense.
Na época, Doueiri classificou a autorização como "um milagre incrível". Com a proibição oficial pouco depois, porém, o cineasta criticou as autoridades de seu país. "Tudo que esse episódio faz, no fim das contas, é retratar o Líbano sob uma luz negativa, e dizer a nós, cineastas, que, se pensarmos fora da caixa, seremos considerados párias e foras da lei."