Filme "S.O.S. Mulheres ao Mar" naufraga em seguidos clichês

Elemara Duarte - Hoje em Dia
Publicado em 20/03/2014 às 08:18.Atualizado em 20/11/2021 às 16:44.
 (Divulgação)
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Uma comédia romântica com Reynaldo Gianecchini. Precisa explicar mais sobre "S.O.S. Mulheres ao Mar", filme que aporta nos cinemas nesta quinta-feira (20)? Para os leitores e leitoras mais detalhistas lá vai o restante da descrição: o filme foi parcialmente rodado em um cruzeiro em alto-mar, assim como, em Roma e Veneza. E além desse cenário maravilhoso? Os mesmos clichês de filmes românticos de sempre. "Adriana", uma escritora frustrada (Giovanna Antonelli) trocada pelo marido "Eduardo" (Marcello Airoldi) por uma atriz famosa "Beatriz" (Emanuelle Araújo) e muita raiva entre todos eles.

"S.O.S. Mulheres ao Mar" é engraçadinho. Aqueles indicados para sessão da tarde, quando nada no mundo acontece de importante, nem mesmo o telefone toca. Mas não vai mais além. A bonita produção que levou o elenco completado pelas atrizes Fabíula Nascimento, Thalita Carauta e Theresa Amayo para a "Zoropa" é leve, não derruba secretários de estado, mas contribui para a solidificação da máxima de que "mulher rejeitada não leva desaforo para casa" - no caso, leva para um navio.

Machista, a trama mostra as personagens à beira de ataques de nervos por falta de um companheiro. Todo aquele "cenário maravilhoso" fica dispensável e, por vezes ridículo. Coisa que uma avózinha de bons costumes de qualquer um de nós denominaria de "assanhamento". Então, poderia a trama acontecer num beco escuro ou numa tapera no meio do mato. Que importa? As mulheres "de hoje" são assim mesmo! A que ponto chegamos, cara leitora?

Então, o marido embarca com a nova mulher para o cruzeiro. Sabendo disso, a ex, a irmã da ex e a empregada vão junto, na miúda. Ingenuamente, ela quer tentar reconquistá-lo, mas consegue mesmo é tornar tudo um mar de lama. Quando custa um cruzeiro pelo Mediterrâneo? Cinco pratas? Vezes três (ex, irmã e empregada): 15 mil Reais. Que reconciliaçãozinha cara, heim? Não vale a pena.

E nos respiros entre tantos desencontros em alto mar, a escritora encontra "André" (o nosso querido galã de sorriso avassalador). Ele vem para salvar a pátria de "S.O.S. Mulheres ao Mar", da diretora Cris D’Amato e co-produzido pela protagonista Giovanna. Então, a escritora, enfim, como se diz no interior, começa a "sossegar o facho". (Está muito vulgar isso? Perdoe, leitor! Mas lembre-se de que o roteiro não saiu daqui da redação.)

Os namoricos a bordo do navio desabrocham para todos, assim como os enganos da paixão repentina. Dá um pouco de pena dos personagens. Um homem, uma mulher, é agora! Acontece. Vixe... Nada a ver. Repetidas vezes. Isso cansa de ver. Adolescência tardia para três mulheres maduras aparentemente donas de si.

Certa está "Sônia" (Theresa Amayo), a coadjuvante que fica indiferente ao desespero das três. Poderia ser uma de nossas avozinhas facilmente. Ela aproveita tudo, o cenário mediterrâneo, as festas no convés, os shows, os passeios, conversa, dança, "se joga". Faz jus às "5 pratas" investidas.

E é Sônia quem dá um chega pra lá em Adriana, mandando ela aproveitar a vida como ela é sugerindo que ela aprenda a perder. Há solução melhor? Afinal, tanto na vida com suas constantes desilusões, quanto num cruzeiro pelo mediterrâneo, o alerta é constante: "Se não aguenta, por que veio?

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