Não se sabe muito bem quem atirou a primeira pedra --ou melhor, o tijolo-- que inflamou a rebelião de Stonewall. O motim, ocorrido no verão de 1969, em Nova York, é tido como grande marco dos movimentos por direitos gays.
que dá nome ao filme.
"Stonewall - Onde o Orgulho Começou" estreou nesta quinta-feira (29), na esteira de um boicote feito pela própria comunidade LGBT americana, indignada com o retrato do episódio histórico.
"Eu quis fazer um filme que não fosse só para gays", afirma o diretor à reportagem. "Na época, não se podia nem deduzir se alguém era gay, de tão enfurnadas no armário que as pessoas estavam. Então achei que a forma como retratei aquilo foi realista."
A trama segue Danny (papel do inglês Jeremy Irvine), que abandona a família e a cidadezinha homofóbica em que vive no Estado de Indiana. Vai para Nova York, acolhido por um grupo de gays sem-teto, entre eles o escolado Ray (Jonny Beauchamp).
fato catastrófico. Orçado em cerca de US$ 13,5 milhões, faturou apenas US$ 188 mil (R$ 611 mil) nos EUA.
As críticas despontaram logo que o primeiro trailer saiu.
A organização Gay-Straight Alliance Network colheu quase 25 mil assinaturas ao conclamar ao boicote, sob o argumento de que o filme marginalizava o papel de negros, lésbicas e transexuais, mais importantes para o levante do que o filme dá a entender.
"Incomodou-me que uma única voz na internet tenha a capacidade de fazer o que fez a um filme", diz o diretor. "Especialmente quando a opinião é baseada num trailer, e não no longa em si."
Emmerich se defende das acusações de racismo e transfobia. "Passei muito tempo conversando com os veteranos de Stonewall, que me disseram que as manifestações foram formadas majoritariamente por pessoas brancas."
A ativista transexual Miss Major Griffin-Gracy, que participou do protesto em 1969, discorda: "Podem chamar aquilo de embranquecimento. Eu chamo de mentira", disse ao site The Wrap.
SEM-TETO
inspirou o início das atuais paradas do orgulho LGBT.
O longa usa o forasteiro Danny como recurso didático para expor os primórdios da militância LGBT na Nova York do fim dos anos 1960.
apostavam na transgressão.
O diretor, nascido na Alemanha, disse ter sido atraído pela ideia de levar o protesto às telas ao tomar conhecimento das estatísticas de que boa parte dos sem-teto americanos fazem parte da comunidade LGBT --a grande bandeira que "Stonewall" defende.
"Percebi que é um problema que só piorou. Foi uma forma que usei para conectar o filme à realidade de hoje."
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