Flipoços começa neste sábado com poesia no Sul de Minas

Elemara Duarte - Hoje em Dia
Publicado em 26/04/2014 às 10:28.Atualizado em 18/11/2021 às 02:18.
 (Arquivo pessoal)
(Arquivo pessoal)

“A Cultura Popular na Arte da Literatura” e os “50 Anos do Golpe Militar” são temas que estarão nos debates do maior festival literário do Sul de Minas, que começa neste sábado (26), em Poços de Caldas. O Flipoços 2014 vai até dia 4 de maio, na famosa “terra das águas termais”. Nesta semana, a cidade também vira um polo livreiro com a 9ª Feira Nacional do Livro. Mais de 60 mil pessoas são esperadas para visitar o festival. A entrada é gratuita.
 
Neste ano, entre as presenças de mais de 80 literatos e personalidades do mundo das artes, está o poeta Ferreira Gullar – patrono do evento. O maranhense faz a palestra de abertura neste sábado, às 20 horas, no Espaço Cultural da Urca, onde acontece a maioria dos debates.
 
No dia 3, último fim de semana do festival, é a vez de outro grande nome da poesia brasileira encontrar os leitores sul-mineiros: a divinopolitana Adélia Prado. A poetisa fala sobre “Afeto”. Pura e simplesmente assim.
 
Nesta edição, o país homenageado será Portugal. Neste sábado, dando início à ode para a “terra de Pessoa”, será iniciada a Mostra de Cinema do Flipoços, às 15 horas, com o filme “José e Pilar” sobre a história de amor do escritor José Saramago e Pilar del Rio. Em mais este evento acrescentado à programação, o público acompanha debate com o diretor deste filme, o português Miguel Gonçalves Mendes. Outros convidados portugueses, como o sobrinho-neto do próprio Fernando Pessoa, o médico Luiz Miguel Roza Dias (1º/5), também participam ao longo da semana.
 
Já nas temáticas sobre a ditadura estão Ivo Herzog (filho do jornalista Wladimir Herzog, assassinado durante o golpe militar) e o também jornalista e escritor Audálio Dantas (2/5).
 
Entre as novidades do Flipoços neste ano, está a ampliação do evento para outros espaços da cidade turística, além do Urca. “É o ‘Circuito Pegada Literária’. Vamos levar atividades para onze espaços dentro da cidade. Pubs, lojas de doces típicos, o Café Concerto, o Instituto Moreira Salles”, cita a realizadora do Flipoços, Gisele Corrêa Ferreira.
 
Cultura popular

No Encontro de Escritores Indígenas, no dia 1º de maio, às 10 horas, o índio Daniel Munduruku (1º/5) fala sobre sua criação literária publicada em 43 premiados livros infantojuvenis que escreveu.
 
E é para a nobre fatia de pequenos leitores brasileiros que, em 2015, a décima edição do Flipoços se voltará. “Falaremos sobre a literatura como resgate da velha infância”, adianta Gisele.

Minientrevista - Daniel Munduruku
 
Você está escrevendo algum livro novo?

Neste ano, deve sair mais três livros infantojuvenis. Um deles, pela Companhia das Letras, deve se chamar “Vó Coruja”.
 
Os debates sobre a cultura indígena têm aumentado no Brasil?

Há um envolvimento maior, mas ainda é uma discussão muito preliminar. Sobretudo a respeito da literatura indígena, que é um tema novo. Tem havido uma demanda maior da sociedade, muito em função da Lei 11.645 (2008) que obriga o estudo da cultura indígena em sala de aula.
 
Mesmo com a agenda cheia, sobra tempo para você visitar sua aldeia?

Dentro do possível, faço visitas, não tanto à minha aldeia, pois é muito distante.
 
Onde fica?

Fica no município de Jacareacanga, no sudeste do Pará. Hoje, há cerca de 400 pessoas vivendo lá. É onde eu cresci e tive o aprendizado da cultura. Tenho primos, tios... Dá pelo menos dez horas de barco do município até lá. Não tem outro jeito de chegar. Minha mãe mora mais perto da cidade.
 
Quando visita a aldeia, como olham para você, que é um “índio escritor”?


Sou mais admirado no mundo da cidade do que na aldeia. Lá, eu sou o que sou. Um filho do lugar, igual a todo mundo. Não precisam ficar me paparicando. O meu trabalho chega até eles. Admiram. Falo com eles através de redes sociais, que já chegaram lá.
 
O que as comunidades indígenas de Minas Gerais têm de peculiar?


Gosto do tipo de reflexão que elas fazem em relação à montanha, ao ar. Sobretudo os “Krenak”. No Norte do Brasil, a ligação é maior com a floresta e com os rios.
 
Informações:

A Expresso Gardênia tem quatro saídas diárias da Rodoviária de Belo Horizonte até Poços de Caldas (Telefone 0800-030-2000) Programação e indicações de hoteis conveniados no www.flipocos.com
 

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