
Um campo de várzea não é apenas um campo qualquer. Esse terreno, que ainda faz parte da vida de milhões de brasileiros, é lugar de esperança, sobretudo de crianças que sonham com a vida de jogador, e de marmanjos que fogem do estresse nos finais de semana. Esse universo lúdico – e às vezes bruto – foi captado pela lente do fotógrafo Marcílio Gazinelli e culminou na exposição “Por Cima do Futebol”, que abre nesta quarta-feira (11), às 10 horas, e segue até 12 de julho, véspera do fim da Copa, na AM Galeria de Arte.
“Essa história de criança começar jogando na escolinha em campo com grama é na Europa. Porque boa parte de nossos craques nascem na várzea (campo de terra). No passado era assim, com Garrincha, Pelé, Didi... Ainda tem esse lance do sonho na várzea, dos meninos de 14, 15 anos. No final de semana, o personagem é diferente é careca e barrigudo, é o lado mais de confraternização do pessoal do morro”, destaca Gazinelli, que critica as novas arenas (Mineirão, Maracanã) por excluir os “Geraldinos” e “Arquibaldos” dos estádios.
Na mostra serão expostas 49 imagens reunidas com temas distintos. Em 13 fotografias são enquadradas as favelas; outras 20 mostram o centro do campo e algum personagem (sobretudo o jogador) e as demais lúdicas, feitas com plano mais aberto, com o enquadramento de todo o campo.
A maioria das fotografias foi feita nos últimos três anos em campos de Belo Horizonte e região periférica, Bahia, Pernambuco e Rio Grande do Sul (única com gramado). Uma fotografia, no entanto, foi feita há cerca de 30 anos. Retrata um campo completamente torto e acabou provocando a criação da exposição, como parte do projeto Galeria Epson. A curadoria é de Guilherme Horta.
A mostra foi possível pela atuação de Gazinelli, com mais de 30 anos de fotografia, na área de imagens aéreas para obras. “Trabalho muito com fotografias aéreas de obras e comecei a produzir um volume de material interessante. Mostrei ao Guilherme Horta que apresentou à Epson, que estava procurando uma coisa nova. Queriam mostrar o produto que essas máquinas fazem. Então, a galeria Epson não é física, é um conceito”, completa.
De BH, a mostra segue para São João del Rei, em 16 de julho, Ouro Preto, em agosto, Paraty, em setembro, e há uma possibilidade de participação na Feira de Fotografia Fotochina, na Alemanha, em outubro.