
A primeira batalha, “Warcraft – O Primeiro Encontro de Dois Mundos” já venceu. Principal estreia de hoje (2) nos cinemas, o filme baseado num principais jogos online consegue superar um dos maiores obstáculos de seus congêneres, ao criar uma trama coesa e com várias camadas.
Afirmar que o filme é uma cópia de “O Senhor dos Anéis” não é um disparate, já que os usuários foram os primeiros a admitir essa semelhança, razão possivelmente de ter se tornado tão popular. Estão lá os orcs, os gnomos, os elfos e os humanos tentando superar suas diferenças para vencer o Mal.
A moral é praticamente a mesma: só a união dos povos é capaz de derrubar forças ocultas que se aproveitam de mentes fracas. Não há um grande jornada e uma Sociedade do Anel, mas os detalhes sobre reinos e personagens estabelecem uma bem amarrada linha cronológica.
O diferencial em “Warcraft” é que a narrativa contempla os dois lados da contenda, com personagens bons e maus na Horda e na Aliança. É o aspecto que tornou o jogo mais dinâmico a os aficionados (já chegou a ter 12 milhões de usuários), que passam a contar com múltiplas opções.
Formado em gastronomia e fã de games, Daniel Donato joga “Warcraft” desde o seu lançamento. O principal motivo de ser tão fiel é a riqueza do seu universo. “O jogo é muito atrativo, sempre levando você a ser o melhor, a atingir o máximo, explorando todo o jogo”, destaca.
Daniel salienta que, a cada expansão do game (o último é “Legion”), o universo se torna mais rico e detalhista, ainda que as semelhanças com “O Senhor dos Anéis” se tornem também mais fortes. “Sair do padrão criado por J. R. R. Tolkien é difícil. Ele é o pai dos elfos, orcs e dessa linha medieval”.
Foram 8 expansões até hoje e, no cinema, os produtores deverão seguir a mesma lógica. Como deixa claro o subtítulo (“O Primeiro Encontro de Dois Mundos”), a adaptação para o cinema, dirigida por Duncan Jones (filho do cantor britânico David Bowie, falecido em janeiro), já tem sequências garantidas.
O que falta ao filme é dar uma pausa na ação para abrir espaço ao desenvolvimento dos personagens. O ritmo é tão intenso que eles parecem, muitas vezes, um elemento a mais nesse frenesi, não saindo da superficialidade. Como o mago Haddgar, que nos faz sentir falta de Gandalf.