
SÃO PAULO – Faça sol ou chuva. Ou garoa. A arte das ruas está à disposição do olhar curioso de quem visitar a 2ª Bienal Internacional Graffiti Fine Art, do Museu Brasileiro da Escultura (MuBE), que segue até o próximo dia 24. Nos painéis ao ar livre e em um gigantesco galpão do museu, 50 artistas do mundo inteiro apresentam sua destreza. E, detalhe: os traços são feitos ali mesmo, exclusivamente para a ocasião. Ao final, tudo será apagado, sem choro nem vela.
A reportagem do Hoje em Dia esteve no local para conhecer os bastidores do evento. Profissionais de todos os cantos do mundo se entendendo apenas pelo idioma do spray. A cor, a criatividade, o cheiro de tinta e os "tec-tecs" das esferas sacudidas nas latinhas pontuam a comunicação. Além dos painéis, instalações, telas, fotografias e esculturas preenchem a Bienal. A entrada é gratuita, e a visitação acontece de terça a domingo, das 10 às 19 horas. O MuBE fica na avenida Europa, 218, São Paulo.
Andreas von Chrzanowski, ou "Case", tem 33 anos e é alemão. Na primeira vez no Brasil, se incumbe de um painel de aproximadamente 4 X 3 metros na área externa do museu. A garoa que caia no dia da visita ao espaço não atrapalha: a tinta que usa seca rápido.
No painel, o artista ampliou a imagem em uma fotografia de 10 X 15 centímetros que mostra três mãos juntas. Case é conhecido por fazer imagens "foto realistas". Sempre desce da escada e fica de longe, para ver as proporções de sua obra. Perguntado se usa alguma técnica para a perspectiva, garante: "Nenhuma. É tudo no olho", afirma.
Impacto
Airá Ocrespo, 31 anos, diz que seu primeiro nome vem da língua africana Iorubá e significa "aquele que não enfraquece no combate". Mas Airá é bem brasileiro. É carioca, inclusive. O nome diferente cai como uma luva para quem é grafiteiro e MC desde a adolescência. "Quando o grafite entra no museu, a valorização aumenta e passa a ter outra interpretação", assegura ele.
Airá diz que entrou e se enfronhou neste universo por gostar das "frases de impacto" que lia nos muros. De fato, um chamariz para o espírito de rebeldia que costuma estar atrelado à própria juventude.
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