Grafiteiros do Brasil e do exterior fazem arte nos muros do colégio Estadual Central, em BH
No último fim de semana, primeira edição de Festival Internacional de Graffiti reuniu quase 90 artistas para a produção coletiva

Aproximadamente 90 grafiteiros do Brasil e do exterior se reuniram no último fim de semana para repaginar os muros do colégio Estadual Central, no Lourdes, Centro-Sul de Belo Horizonte. O painel coletivo, que traz um pouco da identidade visual de cada artista, é resultado da primeira edição do Uai Graffiti, festival internacional de arte urbana.
Ao todo, o evento reuniu representantes da arte urbana de 25 estados brasileiros, além de cinco nomes internacionais. “Tem gente da Argélia, da Colômbia, do Chile, da Argentina… é um projeto muito massa”, conta João Goma, idealizador do Uai Graffiti.
“Em todos os estados têm um evento de arte urbana nacional desse nível, só aqui em Minas não tinha. Conseguimos um recurso, então deu para garantir uma estrutura bem legal, pagamos a hospedagem de quem veio de fora e compramos o material para todos os artistas”, conta o grafiteiro.
Artistas urbanos de BH marcam presença no Uai Grafitti
Quem já andou pelas ruas de BH prestando atenção aos detalhes provavelmente já viu desenhos de rostos - sempre com os olhos e boca em destaque - espalhados por muros, laterais de bancas de revistas e até caixas de serviços públicos. O autor é o grafiteiro e designer Ramar Gama, que também participou do mural coletivo promovido pelo Uai Grafitti.
Em uma das paredes do Estadual Central é possível observar os traços dos personagens - que já se tornaram parte da identidade visual da capital - coloridos nos tons azul, rosa e laranja. “Foi uma satisfação imensa. Além da ideia de reunir a galera, contribuir com o nosso trabalho aqui no muro de uma escola faz toda a diferença”.
Ramar ressalta ainda a possibilidade de conhecer o trabalho de grafiteiros de outras partes do país como um dos grandes diferenciais do evento. “Além do nosso resultado, pudemos contemplar o trabalho de outros artistas, alguns que a gente conhece e outros que ainda não conhecemos”.
Outro artista de BH que participa do Uai Graffiti é Ma3 Aminadab, autor de desenhos que também integram a paisagem da cidade - seja pelas pinturas de um macaco verde espalhadas pelos muros da capital ou pelos painéis em homenagem ao Cruzeiro. Ele ressalta a importância de evento ter sido realizado a partir de orçamentos públicos.
“Isso fortalece não só a cultura, mas traz também o grafite do Brasil todo para a cidade, fazendo esse intercâmbio cultural de arte urbana. Acho que o evento é importante também por transformar a cidade não só nos pontos, mas também na Zona Sul da cidade”, diz.
Ao final do evento, as paredes do Estadual Central receberam o macaco verde, marca registrada do artista. “Minha obra é inspirada na cultura hip-hop, então tem vários elementos - o boombox (rádio portátil), o spray, o skate… tem essa pegada do grafite anos 90, e o macaco é minha assinatura urbana.”
*Estagiária, sob supervisão de Iracema Barreto
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