
Como manter a esperança em tempos tão sombrios, em que a ameaça do fascismo é iminente? Essa é uma das perguntas que martelaram Jonathan Tadeu durante a concepção de “Sapucaí”, seu quarto trabalho autoral, lançado pelo selo-coletivo Geração Perdida. A resposta talvez esteja nas redes de afeto, nas prosas entre amigos em uma das ruas mais simbólicas do centro de Belo Horizonte – daí o nome do álbum, que o artista apresenta nesta sexta-feira (28), na Autêntica.
Com dez faixas, “Sapucaí” é o primeiro disco totalmente produzido por Jonathan que, seguindo a lógica faça-você-mesmo da Geração Perdida, gravou tudo de forma caseira. “Compus e gravei as músicas durante a Copa do Mundo. É um disco imediatista, que diz sobre 2018, este ano tão conturbado”, afirma o artista mineiro. “As letras falam do medo, mas também sobre tentar continuar, mesmo sabendo da iminência de tudo dar errado. Não escondo o que sinto, como estou mal com isso tudo, mas também quero passar para as pessoas o otimismo, a esperança”.
Jonathan afirma que as músicas não citam acontecimentos propriamente ditos, mas discorrem sobre sentimentos que eles provocam. “A música ‘Março’, por exemplo, escrevi pensando no caso da Marielle. Em como, para mim, o ano já tinha terminado ali. Mesmo não falando o nome dela, muita gente sentiu a mesma coisa e entendeu”, afirma. “Ao mesmo tempo em que tudo parece perdido, a gente precisa encontrar uma saída. Por isso, acabo falando muito sobre a amizade, sobre como é preciso estar próximo dos amigos neste momento. Por isso, o disco se chama Sapucaí, uma rua em que fui muito com meus amigos durante este ano para conversar e passar o tempo”, completa o artista.
Sobre a sonoridade do álbum, Jonathan ressalta que conseguiu lapidar melhor os elementos eletrônicos, também presentes em “Filho do Meio” (2017). “Tem essa parte eletrônica mais aprimorada, mas ao mesmo tempo resgatei as guitarras, que não usei no último álbum”, explica.
Além de Jonathan, se apresentam na mesma noite o grupo paulistano Raça, que lança o disco “Saúde”, e outros dois mineiros da Geração Perdida: o estreante Mafius e a veterana banda Aldan. “Mafius é um artista novo, tem 16 anos. Ia aos shows e acabou entrando para a Geração Perdida. Já a Aldan é uma antiga parceira”, diz, revelando que seu show terá participação de Gabriel Martins, baterista da El Toro Fuerte, outra integrante do selo-coletivo. “Depois desse show, eu e a Aldan faremos uma mini-turnê no Rio de Janeiro e em São Paulo”, adianta.
Serviço: Shows de Jonathan Tadeu, Aldan, Mafius e Raça. Sexta-feira (28), às 22h, na Autêntica (r. Alagoas, 1.172 – Funcionários). Ingresso: R$ 30.