
Existe algo de apocalíptico no ar, aquela “sensação de estar sempre tendo sucessivos fins, diariamente, quando sentimos algo destruir em nós, sob o impacto dos acontecimentos”, como nota a bailarina Duna Dias. “Orbis Finis”, que estreia este final de semana, no Francisco Nunes, é a tentativa do Grupo Contemporâneo de Dança Livre de corporificar essa sensação.
O título do espetáculo se refere ao latim, “o fim do mundo”, e ele vem sendo lapidado desde o ano passado, quando a resistência era tema central das reuniões do grupo. “Partiu de inquietações individuais, mas também muito do contexto em que estamos mergulhados no Brasil e no mundo”, assume Dias.
Nesta direção, o grupo, formado também por Heloisa Rodrigues, Leonardo Augusto e Socorro Dias, dança a partir de dois eixos: exaustão e recuperação. “Trabalhamos muito com a ideia de degradação do movimento, a partir da repetição”, diz a artista. “Ligado à isso, está o processo de degradação, mas também de renascimento. Durante todo o espetáculo, caímos, mas retornamos”.
Assim, o 13º espetáculo do Grupo Contemporâneo de Dança Livre discute a capacidade do indivíduo de resistir em meio às relações de poder e às estruturas de violência; e sua capacidade de reexistir dialogando com a ideia de sucessivos “fins do mundo”, trazendo aquilo que Dias aponta como marcas típicas do grupo, como o “trabalho vocal muito forte, junto com as partituras coreográficas”.
Outro detalhe importante é a passarela idealizada especialmente para a montagem, que irá alterar a paisagem cênica do teatro. “A ideia é que as pessoas poderão ver mais de perto e em diferentes direções, este fim do mundo”, diz a bailarina.
Serviço: “Orbis Finis” com o Grupo Contemporâneo de Dança Livre, sexta e sábado, às 21h, no Teatro Francisco Nunes (Parque Municipal ). Ingressos: R$ 16