Iholdi, uma garota de muitos segredos

Lady Campos - Hoje em Dia
Publicado em 22/12/2014 às 08:32.Atualizado em 18/11/2021 às 05:27.
 (Ilustrações de Elena Odriozola)
(Ilustrações de Elena Odriozola)
Uma menina pensativa de costas para o leitor (com traços delicados da premiada ilustradora Elena Odriozola) é a senha para mergulhar nas histórias da personagem central do livro “Os segredos de Iholdi” (SM Editora). 
 
A publicação, de Mariasun Landa, narra as histórias da garota, às voltas com um primo chantagista, uma babá metida com a polícia e uma vizinha um pouco desequilibrada. 
 
As histórias, no entanto, são contadas na publicação em tom de segredo, como se o leitor violasse um diário – no caso, os registros da inteligente Iholdi. 
 
A menina, de cabelos sempre partidos ao meio, acumula segredos. Tudo bem, todo mundo tem um segredo. Mas a pequena Iholdi tem muitos assuntos confidenciais com que os divide apenas com a avó, que já morreu. “Vovó, guardo um grande segredo que não sei a quem contar. Dizem que você está no céu, e eu, às vezes, fico olhando as nuvens, principalmente quando vejo passar os aviões. Então imagino que Deus incumbiu você de controlar o tráfego aí em cima”. 
 
Em vários momentos, a confiança na avó fortalece Iholdi e a faz perder o medo (mesmo que no fundo o coração disparado e as pernas bambas revelem o contrário). Foi assim quando o primo Martim a levou ao pombal abandonado do parque para mostrá-la um revólver que havia encontrado. 
 
E o pior, Martim sempre a chantageava Iholdi, dizendo que ia contar para toda a escola que a menina havia feito xixi na cama. “O pior é que o revólver era de verdade, como notei em seguida. Ele me disse para segurá-lo. De início, resisti, queria cair fora. No entanto, por curiosidade ou sei lá porquê, acabei pegando a arma, que era bem pesada e muito preta. Fiquei com medo”. 
 
O parque, aliás, emoldura todas as histórias da menina. É também o lugar preferido por ela para passear e brincar, pois tem cisnes, patos e balanços. Ah, já estava esquecendo, o parque é onde desenrolam todos os fatos narrados por Iholdi.
 
Como em um romance policial, a esperta garota dá seu jeitinho e consegue se livrar da arma. E as histórias não param por aí. De tão boas, a menina se sente motivada a escrever um conto e o inscreve no Primeiro “Prêmio de Relatos Infantis do Concurso Interescolar 2004”. Como bem disse a professora de Iholdi: “a vida é o melhor conto e que, com as coisas do dia a dia, dá e sobra pra gente escrever; o importante é ter vontade”. E foi o que Iholdi fez.
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