No último dia 18, um dos assuntos mais comentados nas páginas culturais foi a divulgação, pela Fundação Casa de Rui Barbosa, da íntegra da carta de Mário de Andrade (1983-1945) a Manuel Bandeira (1886-1968), mantida até então em sigilo, e na qual estariam sinais de sua aventada homossexualidade.
A vida privada do escritor, evidentemente, não influencia seu legado. No ano em que os 70 anos de morte do poeta, romancista, contista, crítico literário, musicólogo, folclorista e ensaísta são lembrados, e quando Andrade é reverenciado pela 13ª Festa Literária de Paraty (Flip); a Nova Fronteira disponibiliza três títulos de vulto.
O mais importante, o inédito “Café”, descrito pelo próprio Mário como “um romance de páginas cheias de psicologia e intensa vida”. Não bastasse, a casa editorial chancela uma antologia de contos e crônicas (“O Melhor de Mário de Andrade”) e uma edição especial de “Macunaíma, o Herói Sem Nenhum Caráter”, com caderno de fotos e documentos.
“Café” é um desdobramento de projeto desenvolvido pela professora Telê Ancona Lopez, junto a especialistas no autor. O manuscrito de mesmo nome, teve final fixado por Tatiana Longo Figueiredo, que, aqui, assina introdução, posfácio e seleção de imagens do caderno final.
Imbróglio
Datada de 1928, a polêmica missiva já havia sido publicada com cortes por Manuel Bandeira, em 1958. O fato de se tornar pública na íntegra veio após uma pendenga judicial iniciada quando o jornalista Marcelo Bortoloti, da Época, recorreu à Lei de Acesso à Informação. A Casa de Rui Barbosa, até então, alegava respeito à intimidade e à imagem do escritor. O caso chegou à Controladoria Geral da União (CGU), que, no último dia 9, decidiu liberar o acesso à íntegra.