Filmes como “Insubstituível” mostram como um detalhe narrativo pode fazer toda a diferença no momento de classificá-los como um trabalho comum, bastante atrelado às regras do gênero, ou uma obra que busca nos surpreender de alguma maneira.
Em cartaz a partir de hoje nos cinemas, o longa francês de Thomas Liti trabalha sobre o que podemos chamar de ironia do destino, quando um médico dedicado é diagnosticado com câncer, submetendo-se a cuidados que ele sempre rejeitou.
Sozinho, mal-humorado e desconfiado, Jean-Pierre acaba tendo que aceitar a ajuda de uma mulher. Há o esperado embate, mas quando a história aponta para um enlace, esse detalhe é constantemente postergado, como uma isca para manter a atenção do público.
Enquanto isso, Liti mergulha no universo médico, como já feito no trabalho anterior, “Hipócrates” (2014), trocando o estressante ambiente hospitalar por uma clínica do interior. Com “Insubstituível”, ele transforma Jean-Pierre no exemplo de médico ideal.
Leve Humor
O realizador administra muito bem as doses de drama, romantismo, retrato da cultura interiorana e leve humor, este depositado principalmente no ator François Cluzet – o tetraplégico de “Os Intocáveis”, cada vez mais parecido com Dustin Hoffman, tanto na fisionomia quanto nos trejeitos.