
Desenvolvido desde 2007, o projeto Laboratório Inhotim propõe um olhar crítico e reflexivo a adolescentes moradores de Brumadinho. Durante um ano, os jovens vão ao instituto de arte e passam por atividades educativas. Ao final do ciclo, realizam uma apresentação de como foi o aprendizado. Esse trabalho já foi mostrado em diferentes cidades – Belo Horizonte, Londres, Nova York e Buenos Aires –, mas somente agora é exposto para a população de Brumadinho.
Foram os próprios integrantes do Laboratório Inhotim 2014 (30 jovens) quem decidiram todos os passos dessa exposição. Optaram por criar um evento em praça pública – Antônio Carlos Cambraia – com atividades culturais para todas as faixas etárias durante toda a tarde deste sábado (1), a partir do meio-dia. O evento planejado por eles foi chamado de Festival de Rua Laboratório Mambembe.
O evento, claro, não poderia deixar de ter apresentações musicais. Foram os próprios jovens que escolheram as atrações – todas do município –, como Banda Lóttus, Swing do Bicho, Batucabrum e outros. Haverá ainda exibição de filme, em parceria com outro projeto, o Cinema na Praça (com o filme “Uma Professora Maluquinha, escolhido por meio de uma verificação junto à população).
“Queríamos fazer todo o município participar. Mostrar que podemos fazer algo de forma conjunta”, afirma Bruna Gabriely Santos, de 13 anos, aluna do 6º ano de uma escola do Tejuco, distrito de Brumadinho. “Tirando as festas religiosas e a festa da jabuticaba, não há muita coisa na cidade”.
Ela e seus companheiros de Laboratório Inhotim passaram as últimas semanas preparando as várias oficinas que serão apresentadas neste sábado (1), especialmente para crianças.
“Pensamos em atividades para todas as idades. Não tinha noção de que um grupo de adolescentes poderia fazer um festival tão grande. Está sendo muito gratificante”, diz Wender Vitor França Melo, de 14 anos. “Desde que entrei no projeto, passei a ter um olhar mais crítico e me interessar mais pela escola”.
Estímulo
Segundo Maria Eugênia Salcedo, coordenadora dos projetos educacionais do Inhotim, os jovens participaram de todo o processo de desenvolvimento do festival e puderam aprender sobre como funciona uma produção.
“Eles estiveram presentes em todas as reuniões com a prefeitura e participaram de todas as etapas do processo. Isso é importante para estimular o protagonismo, mostrando que há vários modelos possíveis de programação cultural”, afirma.
De acordo com relatos que Maria Eugênia ouviu de ex-alunos do programa, o Laboratório Inhotim é bastante importante para que esses jovens busquem o ensino universitário, especialmente nas grandes universidades da capital. “O programa desperta maior interesse pelo estudo e estimula a disciplina”.
Ela conta ainda que este não é o único projeto do Inhotim junto a jovens de Brumadinho. Há outros nas áreas de meio ambiente, música e capacitação.