Laços familiares e intolerância em peça com Marieta Severo

Vanessa Perroni
vperroni@hojeemdia.com.br
Publicado em 07/04/2016 às 17:21.Atualizado em 16/11/2021 às 02:50.
 (Leo Aversa/Divulgação)
(Leo Aversa/Divulgação)

Ávida por percorrer novos territórios. Assim é a atriz Marieta Severo, que mesmo após 51 anos de carreira em teatro, TV e cinema, não perde o brilho no olhar ao se sentir desafiada por um novo personagem e mergulha de cabeça.

“O aspecto mais bonito da nossa profissão é quando estamos em um lugar e nos levam para o oposto. É uma reinvenção”, garante a atriz que desembarca em BH neste fim de semana com a peça “Incêndios”.

A trama é espelhada em uma guerra civil que atingiu o Líbano nos anos 70 e 80. O texto aborda rompimento de laços familiares, intolerância, o papel da mulher em uma cultura machista, exílio e injustiça.

Nesse enredo, Marieta encena vida e morte de Narwal, mulher de origem árabe exilada no Ocidente, que ao morrer deixa para os filhos a missão de encontrar o pai e o outro irmão no Oriente. Além de atuar, ela assina a coprodução da montagem.

De novo

Esta é a segunda vez que o espetáculo vem à capital mineira. “BH é a única cidade que estamos voltando, porque sabemos que existe um público de teatro muito interessado”, justifica a atriz.

Mesmo sendo um drama e tocando em assuntos tão delicados e difíceis, a atriz afirma que o espetáculo passa longe de ser “algo cabeça” ou hermético.

“Ele tem uma habilidade de prender o espectador. E as cenas em flashback ajudam na dinâmica e no ritmo para manter o público ligado”, exemplifica.

“A peça ‘Incêndios’ revela maneiras de permanecer humano num contexto desumano”
Marieta Severo
Atriz

Texto universal

Apesar de a história se desenrolar longe do Brasil, Marieta diz que ela aborda questões próximas de todos. “É uma peça universal. No Brasil, 60 mil pessoas são mortas por ano. Mas isso não é assumido como uma guerra civil latente”.

Ela lembra que a peça estreou em 2013, no auge das manifestações. “Ela não toma partido político. Mas fala de uma guerra física. Em 2016 estamos mais perto disso do que em 2013”, compara Marieta se referindo ao radicalismo político que toma conta de grande parte da população.

Para compor a personagem, Marieta buscou elementos em sua realidade. “Não passei por situações de extrema violência, mas me aproximo por elementos da minha geração, que viveu durante a ditadura. Isso tudo é muito vivo dentro de mim”, afirma.

Sobre retornar a Belo Horizonte Marieta, que é filha e neta de mineiro, se entusiasma. “Chego em BH e adoro ir à Savassi, pois gosto da moda mineira. Depois vou direto para um tutu de feijão com direito a doce de leite de sobremesa. Já até ‘aguei’ aqui de falar”, brinca.

Incêndios. Sesiminas (rua Padre Marinho, 60, Santa Efigênia). 9 e 10/4. Sábado, às 20h, e domingo, às 19h. R$ 80 e R$ 40 (meia)

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