Livro "O Pintinho" traz tiras divertidas feitas no Paint

Vinicius Luiz - Hoje em Dia
Publicado em 12/06/2013 às 19:19.Atualizado em 20/11/2021 às 19:04.

Um pintinho e sua mãe, uma galinha. Entre eles, questões que ultrapassam a vida galinácea e acenam com a filosofia de um lado e com o non-sense do outro. O resultado é um dos melhores quadrinhos dos anos 10, que acaba de ser lançado em livro pela editora Lote 42. "O Pintinho", da jornalista Alexandra Moraes, reúne tiras publicadas em um Tumblr criado em 2010 e que faz sucesso na internet. O universo do pintinho inclui o pai ausente, um "nugget", o amigo "Abortinho", o artista "Zé Sexo", paródia do diretor de teatro José Celso Martinez, e o "Instituto Moinho da Neurose", a escolinha do herói. Os desenhos são feitos no programa mais tradicional de edição de imagens: o Paint Brush. A força do pintinho está na piada.

Engana-se quem pensa que os temas saem apenas da cabeça inventiva da autora. Ela é mãe na vida real e muitas das tiras nascem dos diálogos que trava com seu filho. Em entrevista ao Portal Hoje em Dia, a autora Alexandra Morais, nascida em São Paulo, mas criada aqui em Minas, conta um pouco da sua produção, que nasce da interação nas redes sociais ou vendo a vida passar esperando a próxima condução:


O foco das discussões de "O pintinho" são mais influenciadas pela pauta da mídia e das redes sociais ou pelas dúvidas do seu filho?

Não tem uma pauta fechada. Algumas conversas que aparecem nas tiras são comentários de temas quentes, mas a maioria são questões mal resolvidas que atravessam minha cabeça uma hora ou outra. As situações que envolvem a minha relação direta com meu filho acabam sendo mais raras. Acho que os diálogos são mais um pingue-pongue interno (muitas vezes motivada pela maternidade e pelas aflições que vêm com ela, é claro), são questões que eu tento resolver sozinha e, obviamente, nem sempre consigo.


Você já deixou de postar alguma tira por medo da reação dos leitores? Os fãs do José Celso lidam bem com o Zé Sexo?

Não me lembro, mas às vezes deixo as tiras "descansando" antes de postar pra ver se a piada resiste a algumas horas de solidão, sono ou consciência. Não é garantia de piada boa, mas às vezes me faz pensar melhor. Acho que os fãs do Zé Celso não chegam a se incomodar com o Zé Sexo, ele é um amor!!!

Li que você é mestra em literatura. O Pintinho tem influência de algum autor em particular?

Não sou mestra, foi um erro, infelizmente. Só estudei Letras, fiz grego, fiz russo e não concluí nenhuma das habilitações. Não tem nenhum autor em particular, mas é claro que as influências saem muito da massaroca que eu acabei adquirindo com as leituras ao longo do tempo. É meio pedante falar de autores pra tratar, no fim, de quadrinho feito no paint, mas acho que uma fonte inesgotável pra mim são as audioaulas de existencialismo do Robert Solomon, um professor de filosofia com uma voz calmante. Aquilo reúne o supra-sumo do tormento humano, meus preferidos, Dostoievski, Kierkegaard, Kafka, Camus, você vai ouvindo, qual é o sentido da vida? A consciência é uma prisão? Deus está vendo isso tudo?. E pensar nisso esperando o ônibus ou no metrô lotado, enquanto essas questões ficam quicando de uma orelha pra outra, é a minha maneira de dar razão ao mundo. (Espero que não soe pedante demais, mas pra mim é reconfortante!)

 

Você pretende manter os quadrinhos como trabalho ou trata "O Pintinho" como um "hobby que deu certo"?

Por um lado eu penso que eu adoraria viver só dos quadrinhos, mas por outro também não sou maluca, porque nem produzo o suficiente pra isso, quem vive de quadrinhos produz todo santo dia, e tem que produzir coisa muito boa.



Você tem uma conta no Twitter que mantém o mesmo tom de crítica de "O Pintinho", com alguma dose de non-sense. A linguagem do Twitter e dos quadrinhos influenciaram ou influenciam seu trabalho como jornalista?

Eu acho que não muito, e inclusive eu tentei, durante muito tempo, separar o meu trabalho como jornalista desse outro lado, de humor e nonsense, até porque nossa senhora, ninguém aguentaria. Tenho funções que não têm rigorosamente nada a ver com as minhas piadas, isso ajuda a manter a sanidade também.
 

Livro

 

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