Livro repassa trajetória de Weber Pádua, um dos nomes mais influentes da moda e da cultura

Paulo Henrique Silva - Hoje em Dia
Publicado em 15/12/2013 às 11:31.Atualizado em 20/11/2021 às 14:48.
 (FREDERICO HAIKAL)
(FREDERICO HAIKAL)
Primeiro veio a banana. Prata e “trincando de amarelo”, como lembra Weber Pádua, que testava sua nova câmera quando bateu o olho na fruteira da casa de sua mãe. “Você fica louco para logo fotografar alguma coisa. Mal sabia ainda pôr o filme na máquina”, registra.
 
A imagem (abaixo reproduzida) simboliza os 25 anos de carreira do fotógrafo, que acaba de lançar “Weber Pádua 5 x 5”, uma bela publicação reveladora do “lado B” desse que é um dos mais requisitados nomes do mundo da moda e da cultura
 
Após escrever a dedicatória com uma caneta “caríssima”, comprada especialmente para esse fim, Weber Pádua carimba, na primeira página de seu livro recém-lançado, o número 139. Em seguida anota num pequeno caderno o destino do exemplar, um dos 800 que serão presenteados ou vendidos.
 
“Quando acabar, não farei outra impressão”, garante o fotógrafo, que, com essa opção por uma edição muito limitada da obra, inaugura uma etapa em que as fotos ganharão espaço nobre nas paredes de galerias de arte e colecionadores.
 
O que não quer dizer que esse paulista de nascimento, mas mineiro por adoção, está abandonando por completo os sempre requisitados cliques de belas modelos e artistas do cenário pop, como os grupos Skank e Jota Quest, seu ganha-pão desde quando começou a trabalhar para a grife ArtMan, em 1993. “É um livro para o mercado de arte, para começar a vender print”, avisa.
 

Prata - Weber Pádua

Foto batizada de "Prata" é uma das mais marcantes do autor (Foto: Weber Pádua)

Histórias por trás de cada clique
 
Weber Pádua destaca que a foto como quadro é um mercado ainda não totalmente aproveitado em Belo Horizonte. Desde o início do ano, começou a colocar para valer a ideia em prática, mirando as ruas das muitas metrópoles que visitou a trabalho. Como bom mineiro, afirma que não viaja muito. “Gosto daqui”, ressalta.
 
Seu estúdio está localizado numa calma rua do Mangabeiras, marcada pelo canto de pássaros. Pádua dirige seu olhar para a cuidadosa teia produzida por uma aranha que parece conhecer. Conta com ela para diminuir a presença de insetos que adentram pelo teto retrátil, aberto naquele momento.
 
O fotógrafo oferece um “café do bom” que será preparado na pequena cozinha ao lado. São 11h30. “Não acordei agora”, corrige, diante do olhar de espanto do repórter. “Levanto todos os dias às 7 horas. Está vendo aquelas tampas do ar condicionado ali? Fiquei a manhã toda limpando-as”, explica.Weber Pádua - Moça
 
Logo pega o livro e começa a contar a história de cada uma das fotos. Lembra da câmera e até mesmo do tipo de filme usado. “Passei a buscar mais as cenas do cotidiano. Elas têm em comum um pouco de humor e o fator sorte, como um carro antigo estacionado próximo a uma placa onde se lê ‘No Parking’”, exemplifica.
 
O seu é mais bonito
 
As imagens de lindas mulheres – como Alinne Moraes, Isabella Fiorentino, Mariana Weickert, Yasmin Brunet, Daniela Cicarelli – não ficam de fora, mas pertencem ao que ele chama de “lado B” – não publicadas e feitas com outro propósito. As páginas também exibem Lô Borges, Seu Jorge ou Jota Quest – “Eu sugeri esse nome, depois que foram proibidos de usar o J. Quest (homônimo de um desenho animado)”.
 
“5 X 5”, por sinal, já na está mesinha de centro de sala de Marco Túlio, guitarrista do Jota Quest. “Está do lado do (famoso fotógrafo russo Richard) Avedon. Falei com ele que, na comparação, estava me destruindo. Mas ele respondeu que o meu (livro) era mais bonito”, diverte-se. 
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