Livro sobre Malala da voz às crianças contra as injustiças sociais



Lady Campos - Hoje em Dia
Publicado em 09/03/2015 às 10:28.Atualizado em 18/11/2021 às 06:16.
 (Ilustrações de Jeanette Winter)
(Ilustrações de Jeanette Winter)

Uma menina e um menino. Dois paquistaneses corajosos e com trajetórias diferentes e reais. Malala Yousafzai defendeu o direito de mulheres frequentarem a escola e Iqbal Masih protestou bravamente contra o trabalho escravo. As histórias desses dois guerreiros contra injustiças ecoaram pelos quatro cantos do planeta e agora ganham as páginas de um único livro: “Malala, Uma Menina Muito Corajosa/Iqbal, Um Menino Muito Corajoso” (da Versus Editora).

A publicação tem duas capas (cada uma com desenho do rosto de cada criança) e foi escrita e ilustrada por Jeanette Winter, autora de outros tantos livros infantis baseados em histórias verdadeiras, como “A Escola Secreta de Nasreen”, “As Árvores da Paz de Wangari” e “O Livreiro de Basra” (obra premiada).

Em julho deste ano, Malala completa 18 anos, mas ela se tornou conhecida aos 11 anos, quando falou em público pela primeira vez sobre a importância da educação para as meninas de Mingora, sua terra natal que fica no vale do Swat, no Paquistão. Ali, ela e outras garotas foram proibidas de frequentar a escola pelo grupo religioso Talibã.

Malala, no entanto, nunca se rendeu à opressão. O Talibã até tentou silenciá-la, atirando contra ela – a bala atravessou a cabeça e o pescoço da menina e se alojou no ombro. Mas ela recebeu tratamento em vários hospitais (inclusive no Hospital Rainha Elizabeth, em Birmingham, na Inglaterra, onde mora atualmente com a família) e se recuperou.

Em livro, Malala contou sua história e foi a mais jovem ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, ano passado, por sua luta pelo direito de todas as crianças à educação. A luta da jovem não para. No dia 8 de fevereiro passado, ela pediu mais esforços para a libertação das estudantes nigerianas sequestradas em abril do ano passado por militantes do grupo Boko Haram.

Coragem

Iqbal não teve a mesma sorte de Malala. O menino, que nasceu e cresceu no vilarejo de Muridke, perto de Lahore, no Paquistão, trabalhou como escravo desde os 4 anos, quando seus pais tiveram que entregá-lo para um dono de um fábrica de tapetes como pagamento de um empréstimo de apenas US$ 12.

Iqbal ficou acorrentado todos os dias a um tear até que a dívida fosse paga (ele ganhava míseros US$ 0,20 por dia). Aos 10 anos, foi libertado pela Frente de Libertação do Trabalho Forçado do Paquistão e passou a protestar contra o trabalho infantil.

O garoto contou os horrores vividos como escravo em conferência internacional sobre o trabalho em Estocolmo. Em Boston, Iqbal recebeu prêmio da Fundação Reebok de Direitos Humanos. O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos condecorou Iqbal como um “defensor da luta no Paquistão contra as formas contemporâneas de escravidão que afetam milhões de crianças no mundo todo”. Iqbal sonhava fazer faculdade de Direito, mas foi vítima de uma emboscada e morreu com um tiro quando tinha 12 anos.
 

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