Longa-metragem “Being Boring” tem Pet Shop Boys na trilha sonora

Paulo Henrique Silva
Publicado em 29/01/2016 às 07:36.Atualizado em 16/11/2021 às 01:13.
 (Jackson Romanelli)
(Jackson Romanelli)

TIRADENTES – Equipe reduzida, apenas dois atores, um único cenário – na verdade, a sala de estar do diretor. E um orçamento de “zero real”. Sim, “Being Boring”, que será exibido nesta sexta (29), na 19ª Mostra de Cinema de Tiradentes, é um filme de guerrilha que dificilmente chegará às salas comerciais do país. Mas que também tem seu lado pop, botando os espectadores para dançar ao som do duo Pet Shop Boys.

O título foi extraído justamente de uma das faixas do disco “Behavior”, lançado em 1990, posto para tocar por uma personagem que não para de dançar durante os 77 minutos de projeção. E há também um homem, que não sai do sofá em nenhum momento. “A câmera é um terceiro personagem e, juntos, formam um jogo de espelhos numa sala mundana, bebendo e fumando, de forma hedonista”, assinala o diretor Lucas Nassif.

Antes do Pet Shop Boys entrar em cena, o realizador capixaba, estreante em longa-metragem, cogitou usar a música do Massive Attack, mas desistiu ao concordar que as canções do grupo são “distantes, com poucas letras e nada pop”. Para Lucas, o filme pode ser experimental, mas não 100% chato. “Não é simplesmente fazer uma produção assim porque não pode ser de outro jeito. Vira uma coisa arrogante”.

Com o PSB na trilha sonora, ele acredita que “Being Boring” tem chances de dialogar com o universo pop, ainda que de uma maneira dissonante. “(Andy) Warhol já fazia isso nos anos 60. Vimos na música deles uma possibilidade de construção narrativa. É um duo de estilo querk, com algumas canções que podem ser ruins, mas todas elas envolvem narrativas sobre encontros malfeitos não sabe onde”, explica.

Lucas critica o fato de muitos diretores autorais se tornarem “incomunicáveis”, discussão que ele leva para o filme através de uma frase que aparece nos primeiros minutos: “Para que cantar canções se não vão lhe ouvir? No nosso caso seria para que deixar um filme arquivado no computador se não vai poder projetá-lo?”, questiona. Ele tem consciência que seu filme não é perfeito, mas “esta tentando saber qual é o lugar do cinema”.

Salienta que “Being Boring” não é um filme instalativo, para ser exibido em museus. Faz questão que o seja apresentado em cinemas, onde, segundo ele, a sensação das pessoas presas numa sala escura “explode muito mais”. “Não diria que é um filme prazeroso. É exaustivo, mas tem a sua graça. Se a pessoa sentir tédio, ela pode se levantar e começar a dançar, como a personagem”, registra.

Interação

As três primeiras fileiras de cadeiras do Cine-Tenda foram retiradas para oferecer essa possibilidade, interação musical que deverá se repetir nos próximos filmes do diretor. Atualmente trabalha em “Eu Sou Lana Del Rey”, que seguirá a ideia de um “cinema econômico”, reduzido ao mínimo. “Serão duas pessoas, eu e um amigo de Nova York, que se comunicarão por skype, valendo-se apenas de planos fixos”, adianta.
 

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