Luiz Caldas é destaque em BH no trio elétrico da Banda Mole

Paulo Henrique Silva - Do Hoje em Dia
Publicado em 01/02/2013 às 09:32.Atualizado em 21/11/2021 às 21:36.
 (Divulgação)
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Pouco antes de estourar nas rádios e criar a axé music, em 1985, Luiz Caldas estava do "lado errado". Na primeira vez que tocou em Belo Horizonte, quatro anos antes, fazendo campanha para o candidato a governador Eliseu Resende, o cantor baiano recebeu ruidosas vaias dos partidários do concorrente Tancredo Neves, que venceu eleição no mesmo ano.

"Foi desagradável", lembra ao Hoje em Dia. "Ainda estava no grupo Tapajós e quando começamos a tocar, a plateia caiu em cima. Aquela geração tinha atitude política forte, diferente dos jovens de hoje. Parei de cantar, expliquei que não votava em Minas e que, independentemente de em quem votariam, poderíamos curtir o som. Aí continuamos e foi maravilhoso".

Trinta e um anos depois, o intérprete de "Nega do Cabelo Duro", "Tieta" e "Fricote" estará novamente sobre um trio elétrico em Belo Horizonte, como principal atração do bloco de pré-carnaval da Banda Mole, festa que acontecerá sábado (2) na Avenida Afonso Pena, a partir das 13 horas.

Outro ponto em comum com a primeira passagem é o fato de não estar agarrado ao rótulo de rei da axé music. "Claro que vou cantar os clássicos, mas quero principalmente mostrar que tenho muitas coisas interessantes e novas", avisa.

Heavy metal

Basta entrar na página do artista na internet para descobrir que o repertório engloba os mais variados gêneros, indo da valsa e do frevo até o heavy metal. "Acabei de completar 50 anos no último dia 19 e resolvi dar um presente muito legal para os fãs, que poderão baixar gratuitamente 13 discos meus com músicas inéditas que compus nos últimos dois anos", revela.

O projeto tem parceiros como Lenine, Seu Jorge, Zeca Baleiro, Chico César, Gero Camilo e André Abujamra.

Para o disco de rock pesado, "Antídoto", ele convocou o vocalista Tico Santa Cruz, da banda Detonautas. "Fizemos (as músicas) sem preocupação mercantilista, sem pensar em ser hit. Foi pelo fazer música, o que é bonito", comemora.

Para ele, os novos rumos significam uma forma de oxigenar sua carreira, muito marcada pela axé music. O que não quer dizer que Caldas está abandonando a sua cria.

"Tenho o maior orgulho do que fiz. Mesmo em baixa, ele continuará existindo, pois nada permanece o tempo todo no topo. É igual ao rock. O Elvis (Presley) morreu e o Guns (N’Roses) acabou, mas continua vivo. Eu irei morrer, a Ivete (Sangalo) irá morrer, mas o axé continuará", assinala.

Artista ainda ganha "muita grana" com axé music

Luiz Caldas não tem pudor em dizer que "ganha muita grana com o axé, o que dá para sustentar o resto da vida". É por isso que "se deu o luxo" de gravar músicas para download na internet num estúdio que tem em casa. "Gravadora enche o saco. A internet é o melhor caminho. A pessoa baixa no computador ou no celular e já foi".

Os diversos estilos musicais estão, por sinal, na base da criação da axé music. "Quando comecei nos bailes, aos sete anos, cantava e tocava todos os estilos. Tinha Jackson Five, Martinho da Vila, Creedence, Glen Miller, Beatles, Agepê, Steve Wonder e até Tchaikovsky. E nessa época, você tinha que imitar muito bem. Foi uma escola maravilhosa", registra.

Ele define a axé music como uma "democracia musical", tomando como exemplo um processador de frutas. "As várias frutas são os estilos musicais. A banana é o rock; a laranja é a valsa; a uva, o frevo; a maçã, o samba; e assim por diante. Misturando-a em pequenas porções e com uma mão boa, você tem algo saboroso. Uma mão ruim torna o sabor intragável".

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