'Lust For Life' e o lado político de Lana Del Rey

Jessica Malta
Hoje em Dia - Belo Horizonte
Publicado em 04/08/2017 às 19:10.Atualizado em 15/11/2021 às 09:55.

O sorriso estampado no rosto – e pela primeira vez na capa de um de seus álbuns – é motivo suficiente para esperar uma Lana Del Rey diferente em “Lust For Life”.

O tom melancólico, os amores difíceis e as melodias cinematográficas continuam, mas a mensagem é outra. Se antes a cantora era conhecida pelo tom “queria estar morta” – frase dita em entrevista ao jornal britânico “The Guardian” em 2014 – ela surge agora com “tesão pela vida”, em uma tradução literal do título do novo trabalho.

Apesar da nova perspectiva, é impossível não reconhecer todas as características marcantes das canções de Del Rey durante os mais de 70 minutos de álbum. A incrível capacidade de contar histórias e de transportar o ouvinte aos mais diversos lugares e tempos permanece. Dessa vez, sem escapismo e tanta tristeza. Em “Lust For Life”, Lana tem os pés no chão. Canta a contemporaneidade, explicitando seus problemas, medos e preocupações, mas com esperanças de um futuro melhor.

Intimidade

O novo trabalho não é apenas o melhor da carreira de Del Rey, mas parece ser também o mais pessoal. “Lust For Life” é quase um convite para assistir e compreender a nova fase da cantora.

De forma próxima e não passiva (como em “Ultraviolence”, quando ela apresenta uma visão romantizada de um relacionamento abusivo), Lana canta sobre suas experiências amorosas em “In My Feelings”, “White Mustang”, “Groupie Love” e “Summer Bummer”. Fala de sua busca por privacidade em “13 Beaches”, mas vai além, confessando também sua busca por transformações: “Mudança é uma coisa poderosa, as pessoas são seres poderosos/ Tentando encontrar o poder em mim para ter fé”, confessa ela em “Change”, penúltima canção do disco.

Parcerias

Além de The Weekend, com quem canta a música título do álbum, Lana também traz convidados que levam o ouvinte a uma viagem nostálgica: com Sean Lennon ela traz vibes fortíssimas dos Beatles em “Tomorrow Never Came”, como o título já entrega. Na canção, ela chega a brincar com a parceria, quando diz: “A vida não é louca?/Eu disse agora que estou cantando com o Sean?”. A nostalgia continua quando ela divide os vocais de “Beautiful People Beutiful Problems” com Stevie Nicks.`Para fechar, Del Rey também faz uma passagem pelo hip hop, convocando A$AP Rocky e Playboi Carti nas canções “Summer Bummer” e “Groupie Love”.

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