
Marco Nanini assume as vestes de um simples fã do irlandês Oscar Wilde (1854-1900) e traz o dramaturgo a Belo Horizonte, neste fim de semana, na peça “Beije Minha Lápide”. O ator, que recentemente se despediu do pacato Lineu, do seriado “A Grande Família”, vive um detento – mas nem tão perigoso assim.
O crime? Ter quebrado uma redoma de vidro que não deixava admiradores beijarem e marcarem com batom a escultura sobre o túmulo de Wilde, no cemitério Père Lachaise, em Paris. A partir daí, o drama tenta promover reflexões sobre justiça, liberdade e preconceito.
O texto do dramaturgo Jô Bilac foi escrito exclusivamente para Nanini, e é baseado em um fato real. O elenco traz, ainda, Carolina Pismel, Júlia Marini e Paulo Verlings. O fã chama-se Bala. Por que o nome? “Nem eu sei. No texto, a explicação fica no ar”, diz Nanini, 66 anos. Na cena, o protagonista chega a perguntar à advogada que o defende: “Você sabe por que me chamam de Bala?” Ela silencia, ele também.
Seria bala de revólver? Ou as de açúcar, que adoçam o paladar? Esta segunda possibilidade faria sentido em outro momento da peça, quando a advogada questiona o porquê de o protagonista ter quebrado a barreira. Ao que ele desconversa: “Isso não é problema. O problema é proibir o afeto”. Na montagem, a alusão à barreira de vidro do cemitério parisiense (onde também estão enterrados Jim Morrison e Edith Piaf, entre outros não menos célebres) fica por conta do cenário. Nele, é Bala quem está em um cubo de vidro, devidamente preso.