
Marcos Frederico adquiriu seu primeiro bandolim em 2002. Na época, procurou por professores do instrumento e não encontrou. Os poucos bandolinistas da cidade não tinham a preocupação de transmitir informações sobre as peculiaridades das oito cordas. Teve de se virar sozinho.
A dedicação autodidata a um instrumento pouco explorado em Belo Horizonte fez com que Frederico adquirisse seu diferencial. Ele compõe e toca violão, mas se tornou uma das maiores referências na capital mineira quando o assunto é bandolim.
Isso acontece justamente num momento em que os brasileiros "redescobrem" o instrumento. "O bandolim está voltando com força e um dos grandes responsáveis por isso é o Hamilton de Holanda. Ele trouxe uma nova maneira, um jeito moderno que despertou o interesse dos jovens", diz Frederico. "Além disso, houve uma evolução grande no trabalho dos luthiers (profissional responsável por confeccionar instrumentos)".
Mesmo sendo um dos poucos bandolinistas profissionais da cidade, o trabalho do músico não é tão requisitado quanto poderia. Por desconhecerem o instrumento, poucos compositores o inserem nos arranjos dos discos.
O músico acompanha e toca com artistas de diferentes cenas (de Gustavo Maguá a Rafael Martini) e faz parte do grupo de choro Siricutico, mas, hoje, quer mais é focar no trabalho solo.
Feeling
Marcos Frederico lançou, mês passado, seu terceiro álbum, "Entoando Loas". O ponto de partida do álbum foram as músicas "Carola" e "Persides", gravadas ao vivo, em 2011, na Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa, com participação do violinista francês Nicolas Krassik.
"A partir daquele show, comecei a compor músicas que tivessem a ver com aquela atmosfera", diz o músico. "Gravamos tudo ao vivo (no estúdio), buscando o feeling, a emoção".