Mineira Érika Januza escalada para novela da Rede Globo

Cinthya Oliveira - Hoje em Dia
Publicado em 05/02/2014 às 07:45.Atualizado em 20/11/2021 às 15:49.
 (Rede Globo)
(Rede Globo)

Há menos de dois anos, Érika Januza trabalhava no setor administrativo de uma escola de Contagem. Nunca imaginou que um dia atuaria no universo da dramaturgia, mas sua vida teve uma reviravolta em 2012, quando o diretor Luiz Fernando Carvalho apareceu em Belo Horizonte para encontrar a protagonista do seriado “Subúrbia”.

Quando se inscreveu, ela acreditava que era mais um teste para campanhas publicitárias, mas se deparou com a grande produção de um programa da Rede Globo. E a mineirinha ganhou a vaga, frente a 2.000 concorrentes.

Pouco mais de um ano depois do fim de “Subúrbia”, o Brasil vai poder conferir a atuação de Érika Januza, 28 anos, mais uma vez na TV – mas agora em horário nobre. Na semana que vem, a novela “Em Família”, de Manoel Carlos, entra em uma nova fase e sua personagem Alice ganha destaque.

Sobrinha de Helena (Júlia Lemmertz) e filha de Neidinha (Carla Cristina), a estudante de música Alice viverá uma das histórias mais fortes da trama: ela é fruto de um estupro coletivo, inspirado no drama vivenciado por uma turista americana em uma van no Rio de Janeiro em março do ano passado. Apaixonada por balé, ela será a melhor amiga de Luíza, interpretada por Bruna Marquezine na última fase de “Em Família”.

“A princípio não posso adiantar os problemas vivenciados, mas a julgar a maneira que foi concebida acredito que se pode esperar momentos fortes para ela”, afirma Érika Januza.

Áustria

As primeiras cenas da atriz foram gravadas em Viena, na Áustria, com parte do elenco principal. “Gravar fora do país foi uma experiência maravilhosa, um presente. Ficamos lá por 11 dias. Foi um momento importante de entrosamento com o elenco e a equipe. Apesar do ritmo corrido das gravações, tivemos sim a oportunidade de explorar a cidade e de nos divertirmos em Viena”, conta a atriz, feliz com a generosidade do autor e do diretor de “Em Família”.

“Sempre fui muito noveleira. Adoro as novelas do Manoel Carlos e sempre acompanhei o trabalho de direção do Jayme Monjardim. Estou adorando a oportunidade de trabalhar com estes dois grande ícones da teledramaturgia”, afirma.

“Em Família” estreou mal

Embora Manoel Carlos costume gerar boas audiências para a Rede Globo, o primeiro capítulo de “Em Família” marcou 33 pontos no Ibope – a pior estreia de uma novela das nove em toda história da teledramaturgia da Globo.

Mas isso não quer dizer que houve uma rejeição do público à nova trama de Maneco, já que as últimas novelas das nove estrearam com apenas 35 pontos – inclusive, “Amor à Vida”, que preocupou no início, mas se tornou um verdadeiro sucesso comercial.

“Em Família” será a última novela de Manoel Carlos, segundo o autor. A última Helena faz uma referência à sua primeira protagonista com este nome. Enquanto em “Baila Comigo”, de 1982, a Helena era interpretada por Lília Lemmertz (1937-1986), agora o papel ficou com sua filha, Júlia Lemmertz.

Uma beleza que abre várias portas

Pouco antes de “Subúrbia” se tornar a grande oportunidade de sua vida, Érika Januza se questionava que rumo deveria dar para sua vida. Chegou a pensar em abrir um negócio próprio e seguir o dia a dia, deixando de lado as tentativas da carreira artística. Mas seria difícil largar os concursos de beleza que tanto adorava – entre seus vários títulos, estão de Garota Contagem e Beleza Negra BH.

“Os concursos de beleza me atraíam muito, sentia emoção. Me convidaram por volta de uns dez anos atrás para um concurso e, daí em diante, comecei a participar de vários. Adorava!”, diz Érika. “Concursos de beleza em geral me emocionam. São meninas que acreditam e buscam um sonho. E eu com os meus (sonhos) me empenhei, busquei muito. Ia sozinha, ou apenas com minha mãe, toda feliz!”, lembra.

Eram eventos em que a beleza de Érika era colocada em primeiro plano, mas ela sabia que portas poderiam ser abertas a partir deles. “Participei de vários testes para atuar em campanhas publicitárias e desfiles, sempre pensava que em uma dessas tentativas chegaria minha hora, alguém me veria, me daria uma chance maior”.

Preparação

Érika diz ter aprendido muito com “Subúrbia”, uma experiência que lhe permitiu um crescimento pessoal e profissional. Se apaixonou pelo trabalho na televisão e está determinada a dar continuidade à nova carreira. “Hoje tenho convicção do que quero e de que devo estudar muito e estar em constante preparação física e mental para isto. Quero ser lembrada por ser uma boa atriz”.

A preparação já vinha sendo feita antes da grande oportunidade aparecer. Érika passou por dois importantes centros técnicos de Minas Gerais – um curso no Galpão Cine Horto e um intensivo do Cefar/Palácio das Artes.

Além de vários comerciais (como um da prefeitura de Contagem), ela também participou da série “Copa Hotel”, exibida no GNT no ano passado e dirigida por Vicente Amorim.

"Subúrbia" comprova mudanças na televisão

Questionada se já sofreu discriminação, Érika Januza prefere não levantar bandeiras – mas não deixa de demonstrar consciência quando o assunto é preconceito. “Acho que todas as pessoas já sofreram ou irão sofrer algum tipo de preconceito na vida. Ele existe, mas independe de raça, cor, credo, gênero, posição social e outros fatores. Mais importante que ficar exaltando, apontando o dedo para atitudes e comportamentos preconceituosos é saber o que cada um pode fazer para tentar mudar isso”, afirma.

Para ela, o número de atores negros na televisão vem crescendo nos últimos anos e “Subúrbia” é uma comprovação disso – a maioria do elenco da série era formada por negros.

“Sou a favor que as pessoas se vejam e se reconheçam nas produções, independentemente se são brancos, negros, etc. Isso não apenas na TV, mas em todas as profissões. Na vida”, completa a atriz.
 

Compartilhar
Ediminas S/A Jornal Hoje em Dia.© Copyright 2026Todos os direitos reservados.
Distribuído por
Publicado no
Desenvolvido por