
Filmes em que pais e namoradas estão no centro da história, misturando realidade e ficção. Característica apresentada em “Pouco Mais de um Mês”, ganhador de Menção Honrosa na Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes, que agora se espalha em outros curtas-metragens da produtora mineira Filmes de Plástico.
Na 17ª Mostra de Cinema de Tiradentes, duas novas produções com essa cara “familiar” foram selecionadas e poderão ser vistas na cidade histórica entre os dias 24 de janeiro e 1º de fevereiro. “Mundo Incrível Remix”, de Gabriel Martins, e “Quinze”, de Maurilio Martins, reforçam a “tropa” mineira, representada por 25 curtas.
Com 102 filmes de pequena duração na grade de programação, a Mostra de Tiradentes reflete o crescimento da produção do Estado, que só perde para São Paulo (33) em número de títulos. “O ano foi particularmente bom para Minas, com uma geração muito forte que se juntou para se arriscar a fazer filmes”, observa Gabriel.
Para Raquel Hallak, coordenadora da Mostra, esse aumento não se deve apenas às facilidades de produção como també[/LEAD]m é fruto de um trabalho de formação, estimulado pela criação de escolas de cinema e políticas públicas voltadas para o audiovisual. “São olhares diferentes dentro de um mesmo Estado”, analisa.
O grande número de inscritos levou a organização a instituir duas novas seções, fora de competição: Cena Mineira e Cena Regional. O segundo já é um reflexo das quase duas década de realização da Mostra, apresentando trabalhos feitos na região do Campo das Vertentes. “São curtas que retratam personalidades e valores locais”, destaca Raquel.
Gabriel deve um pouco de sua trajetória à mostra mineira. Aos nove anos, ele participou de uma oficina de cinema. Anos depois, saiu carregado nos ombros por amigos e equipe ao receber, em janeiro passado, o troféu de melhor curta por “Meu Amigo Mineiro”. O novo trabalho “Mundo Incrível Remix” fará sua estreia na tela do Largo das Fôrras.
Sonho
“O filme está ficando pronto agora”, avisa o diretor, que põe em cena a nam[/LEAD]orada Rimenna, o pai Geraldo e a mãe Beatriz. “Comecei a filmá-los de forma improvisada, no cotidiano. Depois transformei essas cenas banais numa narrativa ficcional, estabelecendo uma relação com o universo fantástico”, detalha.
Um exemplo é quando Rimenna relata um sonho que teve, em que o bairro Milanês, em Contagem, vira um monte de escombros após uma explosão. Com uso de efeitos especiais, a situação é encenada. Em outro instante, Geraldo conta a lenda que envolve a tartaruga de estimação, que seria uma reencarnação de Cristo.
Gabriel garante que a presença desses elementos familiares que forram as narrativas da Filmes de Plástico são fruto da coincidência. “Gostamos de trabalhar com atores não-profissionais, mas não foi nada pensado”, assinala. Seus pais aparecem também em “Quinze”, ao lado da mãe do diretor Maurilio Martins.
“Acho que pode ser uma forma de mostrar também o quanto somos próximos das nossas famílias. É uma espécie de homenagem”, teoriza Gabriel, ele mesmo protagonista do curta anterior, “Meu Amigo Mineiro”, realizado a quatro mãos com Victor Furtado.