Mutantes trazem rock progressivo a Belo Horizonte neste sábado

Cinthya Oliveira - Hoje em Dia
Publicado em 11/10/2013 às 10:44.Atualizado em 20/11/2021 às 13:15.

Quando Pedro, filho de Túlio Mourão, era adolescente, não se importava muito com o passado artístico do pai. Bastou Kurt Cobain se revelar fã dos Mutantes para o roqueiro se interessar pela época em que seu pai foi tecladista do disco "Tudo Foi Feito pelo Sol", o primeiro realizado após as saídas de Rita Lee e Arnaldo Baptista da banda.

Pedro é só um dos muitos jovens que devem comparecer neste sábado (12) ao Sesc Palladium para conferir a reunião da formação original desse álbum clássico dos anos 70: além de Túlio, estarão no palco o eterno mutante Sérgio Dias (guitarra), Antônio Pedro de Medeiros (baixo) e Rui Motta (bateria).

A primeira vez em que os quatro músicos se reuniram para relembrar o disco mais bem-sucedido dos Mutantes, segundo Sérgio Dias, foi no festival Psicodália, em Santa Catarina, no dia 30 de dezembro passado. Encontraram um público apaixonado de 4.000 jovens.

"A coisa mais legal disso tudo é voltar a tocar com essas pessoas, algo que não tem preço", afirma Sérgio Dias, que já deseja fazer um disco com essa antiga/nova turma. "Imagina só quanto o nível técnico dessas pessoas subiu. São novas linguagens, novos caminhos tomados e há um diálogo muito interessante".

O artista até hoje se surpreende com a quantidade de jovens que vão aos shows com as músicas na ponta língua.

"Em 2006, quando decidimos voltar, não tínhamos banda, empresário, relações públicas. Mas havia crianças ouvindo as músicas na internet porque o Beck disse que era bom. Tocamos em Cingapura, Austrália, toda a Europa, e sempre havia muitos jovens gritando ‘Mutantes! Mutantes!", diz Sérgio.

Não é nostalgia

Túlio Mourão conta que foi difícil convencer produtores de que esses shows do Mutantes não têm ares de nostalgia, mas estão, na verdade, de acordo com os anseios da juventude do século 21.

"Nesses últimos anos, fomos impactados pelas várias manifestações de apreço pelo disco. Foi difícil convencer os produtores de que esse trabalho possui um diálogo rico e consistente com a nova geração", explica.

Para o tecladista e pianista mineiro, o que chama a atenção de várias gerações é a eterna riqueza musical da banda que soube misturar, de forma pioneira, o rock com elementos da cultura brasileira. "A garotada encontrou substância, autenticidade e alto nível de performance musical".


Serviço

Os Mutantes – Neste sábado (12), às 21 horas, no Grande Teatro do Sesc Palladium (avenida Augusto de Lima, 420). De R$ 25 a R$ 80.

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