Não é só observar, mas permanecer: obra no Inhotim convida visitante a deitar e ocupar o espaço
Escultura inédita de Lais Myrrha abre programação de 20 anos do instituto com proposta de pausa e nova relação com a paisagem

BRUMADINHO - A proposta é simples: parar. Em meio às comemorações pelos 20 anos do Instituto Inhotim, em Brumadinho, na Grande BH, a artista mineira Lais Myrrha apresenta a obra Contraplano (2026), uma escultura a céu aberto que convida o público não apenas a observar, mas a permanecer no espaço - seja para descansar, contemplar ou até deitar. A inauguração oficial será neste sábado (25), como parte da abertura do calendário comemorativo das duas décadas.
Instalada em um dos pontos mais altos do parque, no eixo laranja de visitação, a obra ocupa uma área de cerca de 250 m² e foi desenvolvida especialmente para o local, sob curadoria de Douglas de Freitas. Ao longo de uma visita guiada, realizada nesta sexta-feira (24), a artista destacou que a intenção foi criar um espaço de acolhimento e permanência, algo ainda raro nas obras externas do Inhotim.
Obra faz referência a edifício projetado por Niemeyer
A estrutura, composta por concreto e aço, estabelece diálogo direto com a arquitetura moderna e com a paisagem de Minas. A obra faz referência ao edifício projetado por Oscar Niemeyer na Praça da Liberdade, em Belo Horizonte, ao mesmo tempo em que usa materiais associados à construção civil e à exploração mineral.
Ao deslocar esse repertório para o meio do jardim botânico, a artista propõe um novo enquadramento do território. Mais do que um ponto de passagem, Contraplano funciona como um mirante, permitindo ao visitante contemplar o horizonte, algo que, segundo a própria artista, também não é comum em muitas das obras do parque.
Do convite até a execução da escultura e a apresentação final foram três anos, envolvendo uma ampla equipe multidisciplinar, incluindo profissionais de infraestrutura, paisagismo, engenharia e áreas verdes. Durante a visita, a diretora artística do Inhotim, Júlia Rebouças, ressaltou que projetos desse porte sintetizam a vocação do museu. “São obras como essa que fizeram o Inhotim ser o Inhotim, esse projeto tão importante no mundo”, destacou.
Comemorações pelos 20 anos do Inhotim
A obra de Lais Myrrha é uma das três inaugurações que marcam o início das comemorações pelos 20 anos do instituto. A programação ao longo de 2026 prevê novas exposições, performances e atividades que buscam não apenas revisitar a trajetória do espaço, mas apontar caminhos para o futuro.
* A repórter viajou a convite do Instituto Inhotim
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