
Os amantes das artes cênicas já conhecem bem o processo. Quando o Festival Internacional de Teatro de Palco & Rua se aproxima, é hora de pegar toda a programação e ver quais são os espetáculos que podem ser conferidos.
Quanto mais puder aproveitar, melhor. Mas a 12ª edição do evento, que tem início nessa terça-feira, não quer que apenas os iniciados aproveitem os 55 espetáculos que serão apresentados até o dia 25. A intenção é atrair o cidadão comum, aquele que não está acostumado a frequentar plateias, mas possui um interesse por consumir melhor a cultura.
Por sinal, atender a uma variedade maior de públicos foi o principal critério da curadoria, que escolheu 18 espetáculos internacionais (de dez países), 12 produções nacionais (de cinco Estados) e 25 montagens locais (o dobro do que costumava haver no evento).
“A curadoria buscou formatar uma programação abrangente, com diversidade nas artes cênicas, e voltada para o cidadão”, afirma o coordenador do festival, Cássio Pinheiro. Segundo ele, a descentralização foi também uma preocupação. Mais de 40 espaços da cidade foram escolhidos para receber as 163 apresentações (a maioria é gratuita) ao longo das três semanas – praças, ruas e centros culturais de todas as regionais da capital. Até mesmo as oficinas para atores não serão restritas à região Centro-Sul.
Intercena
As peças de Belo Horizonte ganharam maior destaque nessa edição comemorativa dos 20 anos do FIT porque a Fundação Municipal de Cultura tem o objetivo de transformar o festival em uma vitrine para festivais e eventos teatrais do Brasil e de outros países. Trinta programadores de eventos foram convidados para vir à capital mineira e ter contato com a produção cênica daqui.
O festival é a primeira ação do projeto “Intercena”, que tem como objetivo a elaboração de estratégias e ações para a divulgação da produção cênica belo-horizontina para fora dos limites da Serra do Curral. Um catálogo com informações sobre mais de 40 montagens será entregue aos programadores convidados já este mês.
O investimento da Prefeitura de Belo Horizonte é de R$ 6 milhões. O orçamento do evento conta ainda com mais R$ 1 milhão, oriundo de parceiros – como o governo da Alemanha, que está trazendo para a capital mineira a montagem de “Hamlet” feita pela Berliner Ensemble, companhia fundada por Bertold Brecht em Berlim. As apresentações acontecem nos dias 17 e 18, no Grande Teatro do Palácio das Artes. A Alemanha marca presença com mais três espetáculos.