Na contramão das grandes editoras, iniciativa amplia território

Elemara Duarte - Hoje em Dia
Publicado em 25/10/2014 às 11:04.Atualizado em 18/11/2021 às 04:46.
 (Lote 42)
(Lote 42)

Grandes editoras e grandes tiragens para quê? A verdade é que os chamados “livros-objeto”, independentes, ganham mais adeptos a cada dia. Neste sábado (25), por exemplo, a Polvilho Edições lança “Jardim do Seu Neca”, da artista Ana Rocha – às 15h, no Espaço Cultural Casinha (rua Juiz de Fora, 114, Barro Preto)

Trata-se de um pequeno inventário “botânico afetivo” do jardim cultivado por Manoel José dos Santos, o “Seu Neca”, em Mangue Seco (BA). “Os livros são feitos à mão, impressos com serigrafia, a capa é em tecido e com ‘encadernação japonesa’, que é uma costura”, enumera Ana – que, aliás, coleciona “livros-objetos” de outros autores. Ainda neste sábado, a Polvilho apresenta o projeto “Amostra 3/3”, em que coletivos mostram seus impressos independentes.

Para o crescente grupo de admiradores e produtores do livro-objeto, bastam criatividade e uma boa caderneta com contatos de pessoas criativas – designers, ilustradores, artesãos (e, claro, escritores) –, além de um roteiro de seletas feiras dedicadas a essas preciosidades.

As editoras brotam em vários cantos, inclusive o virtual. “A experiência com papel e materiais é mais intensa. É um livro para se aprofundar. Tem um tempo próprio para ficar com ele”, ensina Cecília Rocha, uma das quatro sócias-fundadoras da Editora Chão da Feira, desde 2012, em BH. “O movimento não vem de agora, mas hoje, há mais facilidade de impressão e os processos são mais baratos. Há uma democratização de conteúdo”. A editora já lançou seis livros. “Não encalha, mas também não esgota. Sempre vende”.

Para ser livro-objeto tem que haver um cuidado gráfico e uma pequena tiragem, no máximo mil exemplares. “Mas a criatividade não é apenas para fazer uma graça. Tem a ver com o conteúdo”, explica, de São Paulo, o fundador da Editora Lote 42, o jornalista João Varella.

“Fizemos um livro com areia fixada com cola de silicone na capa, o ‘Seu Azul’. É uma história em que há um mal-estar. Por isso, suja a mão mas só um pouquinho”, lembra. Cada edição da Lote 42 tem um número. “O oito sairá em novembro com haicais escritos a lápis”. E o negócio parece que tem dado certo. “Tem todo tipo de escritor. Recebemos uns dez originais por semana. As prateleiras estão muito iguais. Só best-seller. As editoras têm capital estrangeiro e ficam pressionadas a só produzirem isto. Nossas publicações têm cara de livro, mas com algo a mais”, aponta Varella.

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