Na noite deste domingo, BAFTA premia os melhores do cinema de 2015

Paulo Henrique Silva - Hoje em Dia
Publicado em 14/02/2016 às 09:21.Atualizado em 16/11/2021 às 01:24.

A duas semanas exatas da cerimônia do Oscar, os sindicatos que envolvem os setores da indústria cinematográfica dos Estados Unidos se dividiram em suas premiações e ainda não há um franco favorito à estatueta principal.
 
O BAFTA, conhecido como o “Oscar inglês”, cuja solenidade acontecerá hoje, poderá desequilibrar essa balança. Ou mesmo apontar uma vantagem.
 
Apesar de nas últimas 15 edições ter “concordado” com a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Los Angeles em oito oportunidades, o retrospecto recente mostra que o prêmio concedido no outro lado do Atlântico está mais sintonizado com o pensamento do Oscar.
 
Entre 2009 e 2014, os dois escolheram os mesmos filmes: “Quem quer ser um Milionário?”, “Guerra ao Terror”, “O Discurso do Rei”, “O Artista”, “Argo” e “12 Anos de Escravidão”.

No ano passado, o BAFTA preferiu “Boyhood”, de Richard Linklater, a “Birdman”, de Alejandro González Iñarritu, grande ganhador do Oscar. E, para muitos analistas, os 6.500 votantes da academia inglesa fizeram a melhor opção.

O BAFTA tem revelado uma clara preferência por filmes de época, justamente o tipo de produção inglesa que aparece entre os indicados ao Oscar.
 
Nas 15 edições passadas, com exceção de “Boyhood” e “Quem Quer Ser um Milionário?”, mais contemporâneos, todos os outros filmes são históricos – ou revelam um momento histórico que é crucial ao desenrolar dos acontecimentos. Nesse grupo também estão os dois filmes de “O Senhor dos Anéis”, de características medievais.
 
E o prêmio tem tudo para repetir essa tendência hoje à noite. “Carol”, passado nos anos 50, e “Ponte dos Espiões”, na década de 1960, tiveram a maior quantidade de indicações.


Fora da principal premiação americana, drama homoafetivo é valorizado pelos ingleses
 
“Carol” ficou de fora dos indicados ao Oscar principal (poderia ter entrado, já que foram escolhidos oito finalistas, dos dez possíveis), mas carrega o tom duro e as palavras não-ditas que estão muito presentes no cinema inglês.
 
Talvez os votantes do BAFTA tenham captado as sutilezas na construção da relação homoafetiva que percorre a história, que estamparam outros filmes importantes sobre o tema, todos ingleses, como “O Fiel Camareiro” (1983).
 
Essa opressão e censura vindas da sociedade de uma determinada época, que tratam os homossexuais como doentes ou escória, também estiveram no centro da narrativa de “Minha Adorável Lavanderia” e “Albert Noobs”.
 
No caso de “Carol”, importa menos o amor entre a personagem-título (Cate Blanchett) e Therese (Rooney Mara) do que seu entorno, de que como elas precisam criar códigos para que possam efetivar seus sentimentos.

 

Bafta
 

Reticências
 
Há culpa e medo nos seus olhos, mas o diretor Todd Haynes estabelece um registro luminoso, endossado pela fotografia, a partir dessas reticências e sublimações, talvez de uma forma como nunca se filmou essa paixão.
 
Nota-se no olhar de Carol uma sedução arrebatadora, que parece intimidar a inexperiente Therese. As duas estão em fases diferentes da vida, em que a primeira tem mais a perder por estar no meio daquela sociedade que a condena.

 


 

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