
Destaque na cena do samba carioca desde que fundou o grupo Sururu na Roda, há 15 anos, Nilze Carvalho é cada vez mais dona de seu caminho profissional. Em seu terceiro álbum, “Verde Amarelo Negro Anil” (RobDigital), ela vai além do canto e do talento com instrumentos de corda, assinando também a produção e os arranjos de quase todo repertório.
“Por eu ser também a produtora do CD, tenho total liberdade para conduzir o trabalho”, diz a artista, que assina três músicas do álbum, sendo duas inéditas – a faixa-título e “Viola”.
O restante das 14 faixas perpassa a produção não tão badalada de grandes nomes da música popular brasileira – Nelson Sargento, Riachão, Leci Brandão, Nei Lopes, Ivan Lins entre outros. Monarco não só é homenageado como compositor, como também empresta sua voz a um pot-pourri. Algumas das faixas já eram experimentadas ao vivo.
“A espinha dorsal do CD é o samba, mas eu gosto muito de me utilizar da riqueza que a música popular brasileira tem a oferecer. Então temos samba, choro, ijexá, toada, samba canção e outras vertentes. Gosto dessa mistura”, diz a cantora, que dedicou oito meses de trabalho ao disco, da escolha do repertório ao show de lançamento.
Para o álbum, Nilze não se prendeu a conceitos ou invenções. Se deixou levar pelo sentimento, escolhendo mais uma vez músicas certas para sua bela e grave voz e que exploram a negritude de maneira interessante. “Eu prefiro deixar a minha intuição me levar. Não penso em conceito nem em fórmulas perfeitas. Tenho o hábito de gravar o que gosto sem mais preocupações”.