
A paixão por Dolores Duran teve origem na adolescência. Nina Becker gostava de comprar vinis e CDs de cantoras de todos os tempos, enquanto recebia a influência do padrasto, o maestro Roberto Gnattali, apaixonado por histórias da Rádio Nacional. “Estudava songbooks de bossa nova e ficava intrigada em ver que entre os autores havia somente uma mulher. Passei a perguntar mais para sobre quem era.
Descobri que era uma mulher inteligente, que falava várias línguas e gostava da boemia. Bebia de igual para igual com Vinicius de Moraes”, conta a cantora, que acaba de lançar “Minha Dolores” (Joia Moderna).
O repertório de Dolores já havia sido trabalhado por Nina em algumas ocasiões – desde uma homenagem na turnê do disco “Azul” a uma participação em um projeto do Canal Brasil em que cantoras contemporâneas relembravam artistas “de antigamente”. Mas a intenção de investir em um show mais completo só veio depois que se aproximou de músicos que fazem parte do universo do choro e do samba, no ano passado.
“Estava estudando repertório para um disco e acabei decidindo mudar a minha sonoridade, incorporando mais instrumentos acústicos, mais elementos da linguagem do samba. Se não fizesse o show naquele momento, minha ideia ia ficar na gaveta, cheirando a mofo”, conta ela, que construiu um show com o violonista Lucas Porto e o bandolinista Luis Barcelos.
O pronome “minha” foi incorporado ao disco porque Nina procurou dar um caminho afetivo às escolhas de repertório. “Não tenho a obrigação de transmitir um legado, quis apenas cantar as músicas que me deram vontade. Escolhi o que ficava bem na minha voz. O problema é que não tive vontade de cantar as mais famosas, que possuem uma carga dramática que não combina comigo”.
No disco, Nina prezou a continuidade da simplicidade e melodia sofisticada do bandolim e do violão sete cordas, mas seus amigos mais próximos também contribuíram com participações – como os rapazes da banda Cê, Pedro Sá, Ricardo Dias Gomes e Marcelo Callado (marido dela).