
Nunca se é tão velho que não se possa sonhar. E realizar os próprios desejos, partilha a jornalista Tânia Carvalho, na introdução de “100 Dias em Paris” (Imã Editorial). Apaixonada desde sempre pela capital francesa, a niteroiense resolveu “se permitir”, como na letra de Lulu Santos. Aos 60 anos, com os filhos crescidos, partiu de mala e cuia para o 5 ème, mais precisamente para a Rue Gracieuse. A ideia? “Perder para se achar”. Foram pouco mais de três meses. E as histórias, ela começou a compartilhar num site e numa página do Facebook. Para seu espanto (e felicidade), as duas iniciativas “bombaram”. “O feedback foi imenso desde o primeiro momento, quando criei o site 100diasemparis.com e o facebook do projeto. Em um ano, antes de viajar, consegui mil seguidores, hoje são cinco mil no Face”.
E veio a ideia de um livro. Não só em versão digital, mas na impressa. E flagramos Tânia Carvalho feliz da vida, ao partilhar o que chama de “inventário de sensações”.
“O crowdfunding que a Imã Editorial organizou para publicar o livro, em dois dias alcançou a quantia pleiteada, e em um mês arrecadou o triplo. Mais de 400 pessoas participaram comprando, antecipadamente, um, dois, três livros”. E permaneceu em alta depois do lançamento. “Em dois meses, o livro vendeu, nas livrarias, 1.300 exemplares. Eu amo muito tudo isso, mas especialmente os e-mails que recebo dizendo que a obra foi a fonte inspiradora para tantas pessoas irem atrás do sonho de viver em Paris”, exulta.
Curiosamente, Tânia diz que não foi preciso muito trabalho para transpor o material do mundo virtual para o físico. “De verdade, não. A base foi o site/blog. Fui escrevendo ao sabor da emoção, sem nem ao menos saber que ia virar livro. O mais curioso é que as primeiras postagens eram mais ‘fui ali’, ‘vi aquilo lá’. Pouco a pouco, inspirada pela cidade, comecei a escrever crônicas. Quando batemos o martelo do livro, juntei umas com outras, acrescentei dados e só tirei o que era muito datado... Este foi o único crivo”, explica ela, que, desde o fim da empreitada, ainda não retornou à cidade que passou a amar talvez por influência indireta da mãe, Amaryllis, “criada na cultura francesa”, e direta do professor Danilo, “que me mostrou Rimbaud, Verlaine...”
“Não voltei, mas voltarei muitas vezes. Nossa, há uma infinidade de coisas que não vi e outra maior ainda que ainda nem descobri. Preciso fazer um grande passeio pelos parques, já que o mau tempo não permitiu, e há museus que ainda não fui. Paris é infinita, sempre haverá algo que não foi visto, admirado e amado”. Alguém aí ousaria rebater?