Em tempos de vilãs inesquecíveis, é impossível falar de uma nova novela sem querer saber quem será a odiada da vez. Mas os protagonistas de “I Love Paraisópolis”, próximo folhetim das 19h da Globo, que estreia em maio, querem que o público esqueça isso. “Ninguém começa como uma personagem definida, são os acontecimentos que vão transformando as pessoas”, diz a atriz Maria Casadevall. “E essa transformação é muito rica de ver, principalmente numa novela da faixa das 19h, em que geralmente os estereótipos já começam determinados”.
Na verdade, Maria está defendendo Margot. Ela será a antagonista da mocinha Mari (Bruna Marquezine). A trama está centrada na convivência entre moradores da favela paulistana que dá nome à atração e os moradores do Morumbi, bairro vizinho – e rico.
Mari é uma moradora de Paraisópolis que vive grudada em sua melhor amiga, Danda (Tatá Werneck). Ela se apaixona por Benjamim (Mauricio Destri), arquiteto radicado nos EUA que vai a São Paulo discutir um projeto de revitalização da favela.
Mas ele já namora Margot, formando o triângulo amoroso da novela. Os atores estiveram neste mês em Nova York para gravar os capítulos iniciais. Em um deles, Margot descobre que Mari está ilegalmente nos Estados Unidos e que vem se encontrando com Benjamin.
Faz, então, o que toda vilã que se preze faria: liga para o órgão que faz o controle de imigração e consegue deportar a concorrente. Maria, porém, volta a defender a personagem: “Ela não é vilã, é humana”. E prossegue: “É um lapso de descontrole. E existe um arrependimento muito franco depois, um embate ético e moral, isso traz humanidade”.
“Humano”, aliás, é palavra recorrente nas entrevistas com o elenco em Nova York. “A gente espera isso de uma novela, né? A mocinha, o mocinho, a vilã. Mas acho que são todos personagens muito humanos, nenhum é completamente bom ou mau”, afirma Bruna Marquezine.
Mas é possível fazer uma novela sem estereótipos? “Acho que, além de possível, é muito necessário. Tem a ver com uma linguagem que a gente está buscando, que não seja tão óbvia, tão ultrapassada – algo mais próximo do cinema, das séries”.
Mauricio Destri, a terceira ponta do triângulo, diz que é interessante tirar a vilania da receita, para deixar o público em dúvida sobre com quem Benjamin deve ficar. “São relações diferentes”, afirma