
As múltiplas facetas de David Bowie, morto no último dia 10 da janeiro, ganham nessa semana, em BH, uma espécie de tributo espontâneo. No Armsterdam Pub (Rua Major Lopes, 719) , por exemplo, músicos e bandas se unem para um show beneficente, nesta quarta-feira (24), a partir das 22h.
No CCBB BH, também a partir desta quinta (25), o criador de Ziggy Stardust – a figura andrógina que tomou conta do cenário musical na década de 1970 – é fonte de inspiração para a peça “Heróis: Uma Pausa Para David”, escrita e dirigida por Paulo Azevedo.
Somadas às homenagens que o “Camaleão” receberá nesta quarta-feira (24), durante a cerimônia do BRIT Awards, prêmio dedicado à música britânica, e no domingo, no Oscar, será uma semana para nenhum “bowiemaníaco” botar defeito.
A morte do artista, vítima de um câncer, pegou o mundo de surpresa. “Acordei com um gosto amargo na boca. Desde Kurt Cobain (vocalista do Nirvana, que se suicidou em 1994) não sentia uma perda assim”, registra o guitarrista Stefan Salej Jr., um dos idealizadores do show.
Por uma boa causa
A comoção, compartilhada com o amigo e cantor Daniel Lima, se transformou numa ação em causa nobre: 70% da renda serão revertidas para a Casa de Apoio Aura, instituição que dá assistência a crianças e adolescentes com câncer. Os outros 30% pagarão os custos da casa.
Assim que fez a convocação, Stefan recebeu “uma enxurrada” de interessados. “A seleção obedeceu um pré-requisito: tocar Bowie por prazer”, salienta. Mas algumas (bandas) foram além, estão ensaiando como nunca e já até pretendem incluir as músicas em seus repertórios.
SAMIRA ÁVILA - Atriz interpreta personagem em crise pessoal. Crédito: Breno Mayer/Divulgação
No teatro
A morte do “Camaleão” até poderia gerar mudanças no texto da peça “Heróis”, para aumentar a proximidade com o artista – mas o autor não mudou uma vírgula nessa volta aos palcos (a estreia do espetáculo, vale lembrar, aconteceu ano passado), como antecipa Samira Ávila, única atriz sobre o palco.
“É uma livre inspiração, calcada nos processos criativos de Bowie. Ele foi um cara antropofágico, um colecionador, como gostava de dizer, que recolhia diversas referências e fazia uma colagem única”, registra Samira, fã confessa da sabedoria do ícone para lidar com a fama.
Algumas das músicas do artista foram o motor da peça, mas Samira assinala que o objetivo não foi fazer uma homenagem. Resolveram, sim, pegar emprestado um ingrediente comum a vários artistas da época: a crise gerada pela busca por uma razão para seguir em frente.
SERVIÇO
“Heróis: Uma Pausa Para David” integra a programação da 42ª Campanha de Popularização do Teatro e da Dança. De 25 de fevereiro a 7 de março, quinta a segunda-feira, às 20h, no Teatro 1, do CCBB BH (Praça da Liberdade, 450).