
Vinte anos depois do sucesso de O Diabo Veste Prada, a sequência O Diabo Veste Prada 2 chega aos cinemas nesta quinta-feira (30) apostando em um caminho seguro: revisitar personagens icônicos enquanto tenta dialogar com as transformações do mercado, especialmente na comunicação e no jornalismo. O resultado é um filme que entrega exatamente o que o público espera de uma continuação tardia: nostalgia, leveza e reencontros, mas também um olhar atualizado, ainda que nem sempre aprofundado, sobre os desafios contemporâneos.
A produção acerta ao manter a essência das personagens. Miranda Priestly surge menos rígida e mais consciente das consequências de suas escolhas, revelando um desgaste que vai além da carreira. A editora-chefe, antes temida por seu comportamento implacável, agora precisa lidar com um cenário em que até sua postura foi atravessada por mudanças sociais, e pela exigência de um ambiente profissional mais moderado.
Já Andy Sachs mantém o idealismo que marcou sua trajetória no primeiro filme. Mesmo após duas décadas, a personagem ainda acredita no jornalismo como ferramenta de transformação, o que contrasta com um mercado retratado como instável, pressionado por demissões em massa, produtos comerciais e o avanço da tecnologia, especialmente da inteligência artificial.
Essa tensão entre vocação e sobrevivência profissional é um dos pontos mais interessantes da narrativa. Entretanto, apesar de reconhecer a crise da comunicação contemporânea, o filme evita levá-la às últimas consequências. Um dos conflitos centrais, a substituição de jornalistas por tecnologias que não conseguem reproduzir profundidade e senso crítico dos humanos, é apresentado logo no início com força, mas acaba diluído ao longo da trama.
'Espelho suavizado da realidade'
Ao final, O Diabo Veste Prada 2 funciona mais como um espelho suavizado da realidade do que como um enfrentamento direto dela. A crise do jornalismo, a perda de relevância das publicações e o avanço tecnológico permanecem como pano de fundo importantes, mas nunca plenamente resolvidos.
Entre acertos estéticos, atuações seguras e um roteiro que aposta na memória afetiva, o filme entrega uma experiência confortável, especialmente para quem acompanhou a história desde o início. E, mesmo sem aprofundar todos os conflitos que apresenta, é uma continuação que corresponde às expectativas e faz jus ao sucesso do original, o que, no fim das contas, explica o entusiasmo em torno do lançamento e mostra que, sim, o hype vale a pena.
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