CRÍTICA

‘O Diabo Veste Prada 2’ mistura nostalgia e temas atuais para buscar sucesso nos cinemas

Continuação do clássico dos anos 2000 peca, porém, ao deixar dilemas centrais em aberto

Ana Luísa Ribeiro
aribeiro@hojeemdia.com.br
Publicado em 30/04/2026 às 21:27.Atualizado em 30/04/2026 às 21:27.
Miranda e Andy se reencontram duas décadas depois em “O Diabo Veste Prada 2”, que mistura nostalgia, moda e os novos dilemas da comunicação contemporânea (Reprodução)
Miranda e Andy se reencontram duas décadas depois em “O Diabo Veste Prada 2”, que mistura nostalgia, moda e os novos dilemas da comunicação contemporânea (Reprodução)

Vinte anos depois do sucesso de O Diabo Veste Prada, a sequência O Diabo Veste Prada 2 chega aos cinemas nesta quinta-feira (30) apostando em um caminho seguro: revisitar personagens icônicos enquanto tenta dialogar com as transformações do mercado, especialmente na comunicação e no jornalismo. O resultado é um filme que entrega exatamente o que o público espera de uma continuação tardia: nostalgia, leveza e reencontros, mas também um olhar atualizado, ainda que nem sempre aprofundado, sobre os desafios contemporâneos.

A produção acerta ao manter a essência das personagens. Miranda Priestly surge menos rígida e mais consciente das consequências de suas escolhas, revelando um desgaste que vai além da carreira. A editora-chefe, antes temida por seu comportamento implacável, agora precisa lidar com um cenário em que até sua postura foi atravessada por mudanças sociais, e pela exigência de um ambiente profissional mais moderado.

Já Andy Sachs mantém o idealismo que marcou sua trajetória no primeiro filme. Mesmo após duas décadas, a personagem ainda acredita no jornalismo como ferramenta de transformação, o que contrasta com um mercado retratado como instável, pressionado por demissões em massa, produtos comerciais e o avanço da tecnologia, especialmente da inteligência artificial.

Essa tensão entre vocação e sobrevivência profissional é um dos pontos mais interessantes da narrativa. Entretanto, apesar de reconhecer a crise da comunicação contemporânea, o filme evita levá-la às últimas consequências. Um dos conflitos centrais, a substituição de jornalistas por tecnologias que não conseguem reproduzir profundidade e senso crítico dos humanos, é apresentado logo no início com força, mas acaba diluído ao longo da trama.

'Espelho suavizado da realidade'

Ao final, O Diabo Veste Prada 2 funciona mais como um espelho suavizado da realidade do que como um enfrentamento direto dela. A crise do jornalismo, a perda de relevância das publicações e o avanço tecnológico permanecem como pano de fundo importantes, mas nunca plenamente resolvidos.

Entre acertos estéticos, atuações seguras e um roteiro que aposta na memória afetiva, o filme entrega uma experiência confortável, especialmente para quem acompanhou a história desde o início. E, mesmo sem aprofundar todos os conflitos que apresenta, é uma continuação que corresponde às expectativas e faz jus ao sucesso do original, o que, no fim das contas, explica o entusiasmo em torno do lançamento e mostra que, sim, o hype vale a pena.

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