"O Grande Gatsby" não é muito diferente dos filmes anteriores do diretor Baz Luhrmann. Assim como em "Romeu + Julieta", "Moulin Rouge" e "Austrália", o que move a história é um amor avassalador envolvendo a inocência e a rudeza. A sofisticação e a pobreza.
Em "Moulin Rouge", filme que consagrou Luhrmann em seu visual barroco, somos apresentados à mulher mundana e o escritor apaixonado. Em "Austrália", uma rica esnobe se contrapõe ao fazendeiro grosseiro.
A concretização desse amor é desenvolvida da maneira mais clássica possível, a partir da inclusão de um terceiro elemento (um homem influente e aproveitador), mesmo mote de "O Grande Gatsby", baseado no livro homônimo de F. Scott Fitzgerald publicado em 1925.
Classicismo
Para quem não conhece a trama, basta dizer que um homem (Leonardo DiCaprio) ressurge na vida de uma mulher (Carey Mulligan) exibindo luxo. Acredita que só assim poderá tê-la novamente nos braços, por já ter muitas posses. Estamos, mais uma vez, diante da dicotomia pobreza e riqueza.
Os filmes de Luhrmann, por se moldarem dramaturgicamente ao studio system da primeira metade do século 20, absorvem o exagero romântico com propriedade. Mesmo quando adiciona música contemporânea a enredos localizados no passado. "Heresia" que apenas evidencia seu classicismo.
Como em "Moulin Rouge", o novo longa também exibe um escritor iniciante deslocado com a agitação inebriante das metrópoles. A diferença é que a crítica se impõe na maneira como percebe a decadência de valores. É um ponto chave para entender o universo de "O Grande Gatsby".
Tons de cinza
Entra em cena a visão desencantada de Fitzgerald, que afetará de forma pessimista a relação idílica. Gatsby cria um mundo de mentiras, mas legitimada pelo amor incondicional. Ele espera ouvir de Daisy que nunca amou seu marido infiel. Os tons de cinza são muitos, como prova a surpreendente reação da amada.
O desenlace é filtrado pelo olhar do tímido Nick, interpretado por Tobey Maguire. O personagem representa o principal problema do filme. A primeira metade se concentra nele, até a complexidade de Gatsby tomar seu devido lugar. Apesar de ser o narrador, o Nick de Luhrmann interfere demais no andamento, sem estampar o que se espera dele: um olhar agudo sobre o sonho americano.
Editoras investem em reedições do clássico
Antes mesmo de o filme estrear, "O Grande Gatsby" já inspirava editoriais de moda calcados no estilo preconizado pelo filme, que reverbera a Nova York de 1920. O mercado editorial também não ficou imune – por conta de a obra estar sob domínio público, nada menos que duas edições aportaram, mês passado, nas prateleiras do Brasil.
A Editora Tordesilhas aposta na tradução de Cristina Cupertino (foto abaixo, 288 páginas, R$ 29,90), enquanto a LeYa contra-ataca com a de Alice Klesck (176 páginas, R$ 29,90). Não só. A Geração Editorial também aposta no clássico, com a recém-lançada tradução de Humberto Guedes e apresentação de Ruy Castro. A edição tem 204 páginas e custa o mesmo preço das demais.