
No sertão pintado em cores solares, terra seca, galho sem folha e com o couro ocupando destaque, o estilista Ronaldo Fraga lançou seu poético olhar, desenvolvendo "Carne seca ou Um turista aprendiz em terra áspera", tema da coleção inverno 2014, apresentada, na tarde desta quinta-feira (31), na passarela do São Paulo Fashion Week.
No cenário de árvores peladas criadas pelo design Renato Imbrosi, Fraga deu a primeira pista. Aos poucos, o universo do semiárido foi descortinado pela lentes do estilista, que nesta temporada elegeu Expedito Seleiro como protagonista da coleção. O artista do couro, natural de Nova Olinda, no Cariri cearense, é mestre na arte em trabalhar acessórios de couro. " Expedito Seleiro imprime no couro a face festiva e sofisticada da arte popular cearense, pela experiência de homens que praticam o ofício secular dos curtumes", acrescenta o estilista.
E foi na literatura do escritor Mario de Andrade, viajante ávido e intérprete sagaz da cultura brasileira,que Fraga vislumbrou uma espécie de janela por onde espiou a alegria sertaneja, o verdejar dos cactus e o azul sem nuvens do céu do semi-árido.
A coleção de inverno Ronaldo Fraga é de uma simplicidade desconcertante. Em cada detalhe da roupa, uma radiografia do pedacinho de um Brasil esquecido, como no vestido de couro com estampa de terra rachada e com sombra de gavião.

Com cintura em destaque por força de cintos largos e com modelagem bem próxima ao corpo, grande parte da coleção exaltou a feminilidade. A saia-lápis é icônica e, em determinado momento, ganhou perfume de couro verde com ranhuras, que segundo Fraga simboliza o refugo dos curtumes.
O couro estendeu também sua atuação em camisas, tops quadrados, vestidos retos longos e mídis. O material é responsável por 90% da coleção e dialoga com seda, linho, bouclê de algodão e tressês de organza com cetim.
Quanto aos acessórios, destaque para a bolsa-cabaça e a bolsa marmita, além dos sapatos com bico quadrado, recortes e assinatura da designer mineira Virgínia Barros.