
O novo álbum de Odair José, “16”, tem um sentimento especial para seu criador. Com uma pegada bem roqueira e letras de bom impacto, o disco lançado pelo selo Saravá Discos (de Zeca Baleiro) poderia muito bem ter sido feito no final da década de 70, sucedendo “O Filho de José e Maria”, o controverso trabalho em que o compositor retrata um Jesus afinado a questões contemporâneas.
“Mas por uma série de fatores, inclusive um total apagão sofrido por mim musicalmente, meio que perdi o fio das coisas. Fiquei burro! Mas ainda bem que estou de volta pra mim mesmo”, afirma o artista que já foi chamado de “Bob Dylan da Central do Brasil”.
Desde o início, Odair quis um trabalho de apelo pop e com sonoridade garagista, com os arranjos trabalhados para guitarra, baixo, bateria e teclados – com direito a gravação analógica. Uma simplicidade de AC/DC.
O novo trabalho vem ao mercado totalmente afinado ao bom momento vivenciado por Odair José, que, após muitos anos sob a alcunha de “brega”, passou a ter reconhecimento dos mais jovens – sobretudo os roqueiros. A banda mineira Dead Lover’s Twisted Heart, por exemplo, já convidou o artista para várias participações em shows.
“Me agrada muito essa relação com essa nova geração de músicos. Algo que me traz energia, informações, conteúdo sem preconceito. Gosto e sou agradecido por ter a chance de conviver com os jovens. Aprendo mais do que ensino”, diz Odair, que promoveu o lançamento de “16” na Choperia do Sesc Pompeia, um reduto paulistano para jovens antenados com a boa música contemporânea.
Projeto gráfico
Projeto gráfico
O título curioso é fundamental para o interessante projeto gráfico. Vai além do dia 16 de agosto de 1948, data de nascimento de Odair. Na capa, estão listados vários dias 16 importantes da história, como o dia 16 de junho de 1965, quando Bob Dylan grava “Like a Rolling Stone”. Ou 16 de agosto de 1977, data da morte de Elvis Presley. Foi em um dia 16 que o álbum ficou pronto.
“Falei é hora e tempo de comemorar, não importa o ano nem o mês... faça alguma coisa pra lembrar! Tava pronta a ideia e pedi ao Caio Bars que pesquisasse (sobre a data). Acho que ficou muito legal, diferente, bem com eu gosto”, diz Odair que nunca deixou de investir em novos álbuns. “O importante é estar produzindo. Fazer, errar tentando acertar. Me divirto, gosto desse envolvimento”.